O Melhor AmigoO Melhor AmigoUma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue) Articles
O vestido de verão
2009-09-11 07:54:00 I need a fix cause I?m going downDown to the bits that I left uptownOs olhos amadurecidos na bordade um desfiladeiro, os doissoltando-se com calma. Assim,lê-me mais baixo, quase sem querere os lábios que tremam se tiverque ser, aliviando as sílabasmais carnudas de algumas daspalavras.Setembro perde-se sem interesse,não são muitos, dois, três cafése uma gente demorada a meioda tarde. Esta luz agora crua e lerdaque nos desfeiae serve de fracas impressões.Lá foraárvores entorpecidas de jardinsque podiam não existir, ruas que levampor um suave desencantoe animais dessesde beira de estrada. As floresde macieira que uma brisa cheirae imita, ou a pancada seca dos frutosatiçados pelo vento: rolampor um bocado no soloe depoisficam-se ali, a apodrecer de doçura,sobre a breve resistência de umdesejo. E o silêncio.Só o espaço que vai da bocaa cada um deles.Neste quarto a janela sobreum pátio aonde vem muito temposem nada, sombras só fugindoumas das outras. A chuva sobeos carreiros e ensopa o qu...
Artaud no "Diário" de Anaïs Nín
2009-09-11 01:47:00 «Allendy e Artaud sentados atrás de uma grande secretária. Allendy apresentou Artaud. A sala estava apinhada. O quadro negro era um estranho pano de fundo. Gente de todas as idades. O público das conferências de Allendy sobre as Ideias Novas. (?) Artaud subiu para o estrado e começou a falar: ?O Teatro e a Peste?. Tinha-me pedido para estar na primeira fila. Julguei que só pretendesse intensidade, uma forma mais alta de sentir e viver. Teria querido lembrar-nos que os dias da Peste tinham trazido à luz um grande número de maravilhosas obras de arte e peças de teatro porque o homem, chicoteado pelo medo e pela morte, procura a imortalidade, e a evasão, tenta ultrapassar-se? Mas Artaud, de uma forma quase imperceptível, largou então o fio que seguíamos e começou a interpretar o papel de um homem a morrer de peste. (?) não há palavras para descrever o que Artaud interpretava no estrado da Sorbonne. Esquecia a conferência, o teatro, as suas ideias, o doutor Allendy ao seu lado, o públic...
Las cuatro estaciones
2009-09-10 00:57:00 El otoño y sus callesdoradas por las hojas de los libros. El invierno de nieveigual que un largo y triste endecasílabo. Después la primavera enamoradaleyendo algún poema de Virgilio. Luego llega el verano y, como siempre,uno manda al carajo los versitos.Fernando López de Artieta in Nadie Parecía, nº1, Primavera de 1999, Sevilla More About: Cuatro
Onde não estou, tu não existes
2009-09-09 15:44:00 A editora TEA FOR ONE tem o prazer de convidar V. Exa. para o lançamento do livro "Onde não estou, tu não existes", de Marta Chaves, que terá lugar no bar do Teatro A Barraca, no Sábado, dia 12 de Setembro, pelas 18h.
Balada da Rua Damasceno Monteiro
2009-09-09 15:28:00 ardia de amor pela casanuma confusão de silêncios oudizendo de outro modoafundava-se numa líquida recordação cardíacaocultos pólen pólvora fósforosa má reputação dos dedospaixão cartografada remotatoponímia de enganosbraço a braço crescia altoo incêndio no interior do peitodeliberado ritual de lâminas e pelea transparente certezada cicatrizmas ardia de amor pela casa soturnasilêncio dando para o saguão luz muitíssimoextinta por sobre a larga extensão destruídamorrer, principalmente de amor, éuma compendiosa tarefa domésticadentro do coração antigoserei breve- Miguel-Manso More About: Balada
Anaïs Nín & Henry Miller - Correspondência
2009-09-09 00:57:00 Clichy14 de Agosto de 1932 ?Anaïs,(?) Ainda te ouço a cantar na cozinha ? uma leve e negra qualidade na tua voz, uma espécie de gemido cubano inarmónico, monótono. Sei que estás feliz na cozinha e que a refeição que preparas é a melhor que alguma vez comemos juntos. Sei que, se te queimasses, não te queixarias. Sinto a maior paz e alegria sentado na sala de jantar ouvindo-te atarefada, com o teu vestido, como a deusa Indra, ataviado de mil olhos.Anaïs, eu só achava que te amava antes; não era como esta certeza que está em mim agora. Foi isto tão maravilhoso apenas porque foi breve e roubado? Estávamos a representar um para o outro, até o outro? Era eu menos eu, ou mais eu, e tu menos tu ou mais tu? É loucura pensar que isto pode continuar? Onde e quando os momentos mortos começariam? Estudo-te tanto para descobrir as possíveis falhas, os pontos fracos, as zonas de perigo. Não os encontro ? nem eu! Isso significa que estou enamorado, cego, cego. Ser cego para sempre! (Agora cantam ?C... More About: Henry , Miller
Kyoko Mori
2009-09-09 00:33:00 Para mim, os poemas fazem-se de inesperadas ligações. Quando começo a trabalhar num poema, muitas vezes tenho uma mão cheia de imagens que parecem unir o passado e o presente. Trabalho com estas imagens e com as histórias que elas vão abrindo à minha frente - até que reconheço, exactamente, quais são as ligações. Aquilo que descubro é quase sempre ligeiramente diferente daquilo que eu pensei que viria a descobrir - o poema acaba a uma pequena distância do ponto para onde eu julgava que ele se dirigia (não a uma grande distância: numa escala real, a um quarteirão ou dois, às vezes só uma esquina).Neste processo de busca de ligações, eu escrevo quase sempre sobre a minha infância. As imagens que vêm da infância são inesquecíveis: as flores no jardim da minha mãe, o meu vestido favorito de veludo preto, o dia em que o meu irmão tentou cortar as pestanas por serem compridas e lindas e por toda a gente lhe dizer que ele era suficientemente belo para ser uma rapariga... De certo modo, est... More About: Mori
Nantucket
2009-09-08 20:41:00 Flores na janelaroxo-claro e amarelasalteradas por cortinas brancas ?Cheiro a limpo ?Sol do entardecer ?Na bandeja de vidroum jarro de vidro, o copovoltado para baixo, e junto ao copouma chave ? E obranco leito imaculado- William Carlos Williams
Proletarian portrait
2009-09-08 20:29:00 A big young bareheaded womanin an apronHer hair slicked back standingon the streetOne stockinged foot toeingthe sidewalkHer shoe in her hand. Lookingintently into itShe pulls out the paper insoleto find the nailThat has been hurting her- William Carlos Williams More About: Portrait
O carrinho de mão vermelho
2009-09-08 20:15:00 tanta coisa dependede umcarrinho de mãovermelhoesmaltado de água dechuvaao lado das galinhasbrancas.- William Carlos Williams
A DUSE NA PIAZZA CAVOUR
2009-09-07 00:45:00 ?Robert Creeley fala, inteligentemente, da sua poesiae Dario Belleza disparata contra os poetas estrangeiros- os convidados para este curioso festival ?enquanto afirma a supremacia dos poetas romanos,isto é, ele próprio ? pequena polémica provinciana -.Mas ali, no cenário, não está a poesia, nunca estará.A poesia és tu a trazê-la, nesta noite tórrida de fim de Julho,sem saber nada de mim, nem sequer se escrevo,sentada com os teus oitenta anos, o cabelo cuidadosamentepintado,os teus medalhões, o teu pequeno gato numa caixae as tuas mãos no ar recitando d? Annunzio,na esplanada deste bar deserto de Piazza Cavour.Sei que esperas, enquanto me contas encantadoras mentiras,que te pague este copo, que te ofereça umas liras,o que não sabes, o que nunca saberás,é até que ponto me fizeste feliz.«Dizia-me d?Annunzio», repetes, inventas, recitase escutam-se os seus versos na praça em silêncio,enquanto o empregado retira já as mesas.Duse Fingida desta noite louca,carrancas de proa, rindo-nos tu ...
Contra Jaime Gil de Biedma
2009-09-06 23:46:00 Que adianta, gostaria de saber, mudar de casa,deixar para trás uma cave mais negraque a minha fama ? e já é dizer muito -,pôr cortinas brancase arranjar criada,renunciar à vida de boémio,se vens tu depois, calaceiro,embaraçoso hóspede, pateta vestido com meus fatos,com as tuas mãos lavadas,sujar-me a casa e comer no meu prato?Acompanham-te os balcões dos baresderradeiros da noite, os chulos, as floristas,as ruas mortas da alvoradae os ascensores de luz amarelentaquando, bêbedo, chegase páras a olhar no espelhoa cara destruída,com aqueles olhos ainda violentosque não queres fechar. E se te censuro,ris-te, recordas-me o passadoe dizes que envelheço.Poderia lembrar-te que já não tens graça.Que o teu estilo casual, teu desenfadochegam a ser truculentosquando se tem mais de trinta anos,e o teu encantadorsorriso de jovem sonolento- certo de agradar ? é um resto pungente,um propósito patético.Enquanto me fitas com os teus olhosde verdadeiro órfão, e chorase me prometes que não o fazes mais... More About: Contra , Jaime
Sobre a fugacidade das sombras
2009-09-04 23:51:00 Sentada num dos bancos azuis do segundo vagão, observava, através da espessura do vidro, os rasgos de luz dourada que acompanhavam o movimento rectilíneo da actualidade. Cada segmento de luz era irrepetível - único; tornado invisível pela multiplicação genética da sua forma, prolongando esse rastilho de fogo ao qual se decidiu chamar multidão.Só no interior do metro era possível sê-lo: imagem digital de todos os momentos. Sem seleccionar, sem conter o movimento curvilíneo dos rostos daqueles que conhecera. Revia: a geometria dos medos, a angústia que, ao persistir, pede consolação contra a natureza acidental da existência. Eram duplos em décadas, meio século despótico aprovava-lhes a certeza de um lugar no passado de um futuro distante. E essa certeza ? anatómica, biológica ? era fria como o ferro depois do sangramento na bigorna. Incontestável. Inegável como o é a tridimensionalidade do tempo. Erguendo-se, entre eles, a duplicidade da revolta: aquela que, na curvatura óssea dos pul...
Carolyn Kizer
2009-09-04 23:34:00 Tanto a minha mãe como o meu pai leram-me poesia em voz alta quando eu era criança. Tenho a certeza de que esta é uma das principais razões por que sou poeta. Mas mesmo que o não fosse, continuaria a ser uma amante de poesia por causa disso. E nós precisamos de leitores tanto quanto necessitamos de poetas! Eu espero que os vossos pais leiam em voz alta para vós, e espero também que - quando forem pais - leiam para os vossos filhos. Sentarmo-nos ao colo de alguém, escutando uma voz amada dizendo as palavras e explicando as partes difíceis, e repetindo pacientemente um poema que já ouvimos dúzias de vezes - porque o adoramos! - é a maneira de começarmos a amar as palavras. E este amor dura uma vida inteira. (versão minha do depoimento da autora reproduzido em The invisible ladder, selecção e organização de Liz Rosenberg, Henry Holt and Company, Nova Iorque, 1996, p. 7).
Sweet Jane - Cowboy Junkies
2009-09-04 01:10:00 Anyone who's ever had a heartWouldn't turn around and break itAnd anyone who's ever played a partWouldn't turn around and hate itSweet Jane , sweet JaneSweet, sweet JaneYou're waitingFor Jimmy down in the alleyWaiting thereFor him to come back homeWaiting down on the cornerAnd thinking of waysTo get back homeSweet Jane, sweet JaneSweet, sweet JaneAnyone who's ever had a dreamAnyone who's ever played a partAnyone who's ever been lonelyAnd anyone who's ever split apartSweet Jane, sweet JaneSweet, sweet JaneHeavenly widened rosesSeem to whisper to meWhen you smileHeavenly widened rosesSeem to whisper to meWhen you smileCowboy Junkies (Original version by Lou Reed) More About: Cowboy Junkies
Horácio
2009-09-03 16:29:00 O bêbado cabalQuando nós, de meninos,vivemos a doençade criar passarinhos,e as férias acabadaso horrível outra-vezdo colégio nos pôsna rotina de rês,deixamos com Horácioum dinheiro meninoque pudesse manterem vida os passarinhos.Poucos dias depoisas gaiolas sem línguaeram tumbas aéreasde morte nordestina.Horácio não compraraalpiste; e tocar na águagratuita, para os cochos,certo lhe repugnava.Gastou o que do alpistecom o alpiste-cachaça,alma do passarinhoque em suas veias cantava.- João Cabral de Melo Neto
O lírio de Sintra
2009-09-03 06:05:00 Para a Beatriz e o DavidAs mãos na bacia e a testa apoiadacontra o beijo frio do espelho, reflexoque não me disse nada. Na mesaos cotovelos, um livro, a faca a meiodo limão; a pepsi, a água e dois dedosde whisky. Não era muito, o suficientetalvez ? mais que tudo quis deixarespaço a uma simplicidade em quecoubéssemos os três.Sob a linha silenciosa que o mar feria,íamos adiantando o olhar e ainda atirámosbem longe. Depois puxámos juntos um restode luz que tirou gozo morrendo-nos no colo,deixando uma sombra que se apertounas nossas mãos.Estava a queixar-me já não sei de quê,entreguei-lhe um suspiro e a voz delaalargou-se aos poucos, clareandoantes de apressar os lábios numa fraseque nos deitou ao chão quandonos lembrámos de rir? Foi isto ou perto:?(?) depois de uma noite de amor naquelarecta de Ranholas, banco de trás do opelcorsa, nascemos ontem mas ficámos a pétoda a noite?.Não quis saber se era só nossa ou sea tinha trazido para ali. Deixei quesegurasse o dia enquanto um corpo,junto... More About: Sintra
"The Partisan"
2009-09-03 00:52:00 When they poured across the borderI was cautioned to surrender,this I could not do;I took my gun and vanished.I have changed my name so often,I've lost my wife and childrenbut I have many friends,and some of them are with me.An old woman gave us shelter,kept us hidden in the garret,then the soldiers came;she died without a whisper.There were three of us this morningI'm the only one this eveningbut I must go on;the frontiers are my prison.Oh, the wind, the wind is blowing,through the graves the wind is blowing,freedom soon will come;then we'll come from the shadows.Les Allemands e'taient chez moi, (The Germans were at my home)ils me dirent, "Signe toi," (They said, "Sign yourself,")mais je n'ai pas peur; (But I am not afraid)j'ai repris mon arme. (I have retaken my weapon.)J'ai change' cent fois de nom, (I have changed names a hundred times)j'ai perdu femme et enfants (I have lost wife and children)mais j'ai tant d'amis; (But I have so many friends)j'ai la France entie`re...
Galway Kinnell
2009-09-02 17:47:00 (...)Quando encontrei o mundo dos poetas descobri que, afinal, eu não era assim tão invulgar. E quando, um dia, um professor mencionou que Robert Frost vivia e escrevia numa quinta em Pawtucket percebi que a poesia não era uma arte extinta, que os poetas podiam existir no mundo. E comecei a escrever poesia. (versão minha do último parágrafo do depoimento do poeta em The invisible ladder, selecção e organização de Liz Rosenberg, Henry Holt and Company, Nova Iorque, 1996, p. 87). More About: Galway
Solilóquio (V)
2009-09-02 16:26:00 De rocha e solidões me reconstruo,com amargura e paciente.Riso:em mim é fel de sombras.Amor:secos relâmpagos na tarde.Sei o que passa.O mais, ignoro.Terra!sobre o que errei rebenta em flores.E tu, homem futuro,não me lamentes,esquece-me.E vive!- Pedro da Silveira
Azorean torpor
2009-09-01 02:59:00 A Gerald MoserSubo à coroa do monte, sento-me na pedra mais alta,suspendo o rosto sobre as mãos em conchae deixo que se escoe o tempo entre os dedos das horas,como lá em baixo se escoa, vagaroso,o fumo de entre as telhas das casas.Mole, como a paz do lugar, lentamentepasseio os olhos ao redore longe, pelo mar estagnado.E nem o paquete que lá vai, ao largo, prestescortando o impreciso riscode água e céu do limite...nem este aceno de outro e outro além,nada, em mim, levanta a sonolênciaque dos olhos me desce ao corpo sem vontade.Tudo começa e acaba exactamente aqui,na madorna da tarde sem memória.- Pedro da Silveira
Ritual
2009-09-01 02:53:00 Fui eu que plantei esta árvore. E fui eu, dono do chão onde a plantei, o dono dela, quem por suas mãos dela colheu o primeiro fruto e o comeu: que assim o ordena a lei da minha raça de lavradores e afrontadores de águas bravas.E pois cumprido o que ninguém nunca regrou por escrito, mas que todos aceitam, como ao sangue o corpo dos humanos, Outono após Outono a árvore verga-se, pesada de esferas.Reparem: está linda! Grávida à sua maneira de árvore, de vê-la até parece que a vida, com ela, enraiza nas lonjuras do tempo.- Pedro da Silveira More About: Ritual
Ilha
2009-09-01 02:24:00 Só isto:_____O céu fechado, uma ganhoapairando. Mar. E um barco na distância:olhos de fome a adivinhar-lhe, à proa,Califórnias perdidas de abundância.- Pedro da Silveira
Sharon Olds
2009-08-31 23:41:00 (...)Cada poeta tem uma voz diferente, resultado de uma vida diferente. Esta é uma das formas da poesia se renovar continuamente. (versão minha das duas últimas frases do depoimento da autora em The invisible ladder, selecção e organização de Liz Rosenberg, Henry Holt and Company, Nova Iorque, 1996, p. 128). More About: Sharon
Sub rosa
2009-08-31 06:14:00 para o Herberto HelderNão somos os últimos, pois sehá coisa que o mundo sempre fez bemfoi acabar. De novo e sempre: acabar.Mas já não trabalhamos com o ouroe temos um certo pudor tardioem falar de deus, do amor ou até do corpo.As metáforas arrefecem, talvez contrariadas.São casas devolutas, mães risonhasou sombrias cujo grito deixámos de escutar.Do lixo, porém, temos um vastoe inútil conhecimento. Possaele servir de rosa triste aosque não cantam sequer, por delicadeza.- Manuel de Freitas More About: Rosa
Inglourious Basterds
2009-08-29 16:13:00 O revisionismo histórico que Tarantino faz neste filme é interessante nesta perspectiva: sendo ficção é falso, mas a partir desse falseamento, assinala uma possível brecha na História ? cria, a partir do nada, um não lugar ? onde o que retracta poderia ter acontecido. Essa ideia, que vai para além do conceito geral da Utopia, não é inovadora. Há quem o faça em inversão distópica.É engraçado observar que sessenta e quatro anos após o fim da II Guerra, existem dois tipos de tendência: os que ? como Tarantino ? reescrevem a História terminando a Guerra prematuramente; e os que, invertem o seu resultado como, por exemplo, Philip K. Dick.Mais do que pensar ou ?falar? da conivência do mundo para com a Guerra, acho que este filme representa, a imensa necessidade que se sente em revisitar a História ? alterando-a. Abrindo novos caminhos possíveis ? sejam em que direcção for ? nas fendas do tempo; explorando as milhares de possibilidades que existiram e que não foram consumadas. O que não ac...
Marvin Bell
2009-08-28 23:02:00 Como a maioria dos jovens da pequena cidade onde cresci, eu fiz o ensino secundário a achar que a poesia era escrita numa linguagem antiquada, expressando sentimentos cheios de floreados de formas embaraçosas para qualquer rapaz ou rapariga americanos de sangue na guerla. Estava enganado.Bem, é claro que eu deveria ter percebido que a poesia pode ser moderna porque a música popular é sempre moderna. As palavras das canções são uma espécie de poesia, e eu sabia montes de canções.Escrever poesia é sempre uma maneira de ser jovem, porque cada poema é um recomeço, um novo mundo de palavras a explorar, a possibilidade de uma surpresa ou de um milagre. Escrever é uma espécie de brincadeira, mesmo quando o tema é sério.Além disso, nunca perdemos a nossa ligação à infância, o tempo em que começamos a ganhar consciência dos nossos sentimentos. A poesia encontra as palavras que dizem o que desejamos da vida, e os sentimentos têm o poder de perdurar.(versão minha; depoimento reproduzido em The... More About: Bell , Marvin
Cinco cidades
More articles from this author:2009-08-28 21:46:00 ParisQuando vi o mar nas janelas, achei que podia alteraro meu itinerário. Ao descer para a praiajá era quase escuro, havia um casal de aspecto aborrecidosentado nas dunas. Não estava à espera de nenhuma revelaçãomas as ondas recurvavam com fastio e eu regressei ao molheonde todas as famílias eram negligentese estavam em férias.O coreto tinha sido assaltadopor jovens excursionistas no engate, velhos em calçõesfalavam nas cervejarias a coçar os joelhos, riam com estridênciapara dentro dos copos. O verão ia no seu segundo diae parecia ter-se desdobrado no céu da Gasconhacomo um lençol gasto. Não saberei nuncase havia uma história à minha espera na Gare du Nord essa noite.BudapesteFrau Szabo está a pôr floresna entrada, faz estalar a madeira junto ao vãodas portas. Parece-me que já conheçoeste lugar, esta espécie de verdenas paredes, a clarabóia toldada pela fuligem.Ainda há pouco eu era um forasteiro a olharna ponte. Uma criança atirou papéis para o rioe foi castigada, falava-se uma l... 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 |



