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O Melhor Amigo

O Melhor Amigo
Uma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue)
Articles: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7

Articles

A tua rua
2012-02-01 00:31:00
Numa manhã luminosa chegas.Aos quarenta e dois. As andorinhasvoam de uma ponta à outra da rua.Há uma altura em que o Cálculoexpõe friamente o fim de um limite.De repente dás contigo só, em casa.E com o inverno que chega à rua.Sorriem-te os setenta anos,e dás-te conta de como tudo é tão perto.Um autocarro, o metro, e estás junto ao mar.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
A perda da ignorância
2012-02-01 00:23:00
Não escrevas as tuas memórias.Lançarão aos teus pés aquele que foste,como um cadáver inimigo.Quando o passado começa a tornar-se mentiraé muito pouco o que há a reter:uma inútil e indigna convicção,uma crueldade errónea. Quase nadate pede que voltes a falar.A alegria de um velho é o silêncio.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
Despedir-se
2012-02-01 00:12:00
Retirei os tapetes e as cortinas,todas as mesas em que há muitonão me alimento nem escrevo.Tirei os quadros e pintei os murospara apagar os sinais do tempo.Guardo uns quantos livros. Sei precisamente quais.Destruícartas de amor que já não me amavam.Silenciosos, agora, os amoressão icebergues errando no pensamento.A casa, sem recantos para o medo,deixa-me a vista mais despida.Nada, nem a esperança,poderá perturbar a última morte.Não há outra casa para aqueles que amo.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
Bem-estar
2012-01-31 02:18:00
A chuva vai caindo sobre os girassóisque inclinam para a terra as suas cabeças escuras.São campos de palavras que conservam,empapados de chuva,os abatidos pássaros do futuro.No rosto do tempo permaneceum sorriso de agradecimento.De pé junto à janelaestá um velho despido: olha os girassóise sente o frio do copoonde, com um rumor de bateria,a chuva golpeou a noite inteira.Também sorri: não deseja nadaporque, com a manhã, também morre o passado.É mais um entre os girassóisque inclinam para a terra as suas cabeças escuras.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
Outro oráculo
2012-01-31 02:17:00
Diante dos brancos,reluzentes, metálicos moinhos,no ar limpíssimo do inverno,vai-se pondo o sol.Penso nos tempos em que não ali estavam.Pouco a pouco compreendo que aqueles foram diasde um horizonte mais amplo. Hoje erguem-seno seu lugar, brutais, os moinhosorientados para uma época difícil.Chego perto de um deles: sinto a sua indiferença.Acaricio o enorme mastro frio,sinto a manhã nessa poderosalinguagem de gadanha que vai segando o arcom grandes aspas que giram furiosasassistindo ao poente.Como alguém que falasse a verdade.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
Ler poesia
2012-01-31 02:14:00
Ao terminar um livro de poemasde Paul Celan, não sei o que foi que me dissenem o que quis dizer-me. Nem sei sequerse pretendeu dizer-me alguma coisa.Há tanto medo num poeta hermético.Deixo a mão em cima do livro já fechado,e juro manter sempre à distância este medo.A poesia, que pode ser primeirouma paisagem a que se chega de noite,acaba sempre por ser um espelhoonde alguém virá a ler os seus próprios lábios.E que razão de serhá no conteúdo se estiver vazio?Silêncios e vazios foram feitosapenas para os anjos. Contêmo medo da vulgaridade. E a vulgaridade do medo.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
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Forês 2008
2012-01-31 02:06:00
Em miúdo passava sozinho muito tempo.A vida devolve-me a esse lugaronde sem pressas posso, como os pássaros,sentir que a distância está nos olhos.Por fim a solidão, que partilha comigouma mulher, maior, enamoradana sua noite, onde também não há mais ninguém.Os jornais, sobre a poltrona,são como um animal de companhiaque jaz, indiferente, dormitando.A solidão é uma geografia.Não comemora nada.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
Sonata
2012-01-31 01:54:00
Escuto-a e a chuva cai,e penso naquele cão solitárioque ia atrás do ataúde de Mozart.Sigo-o nos compassos deste pianoe nos caminhos que a água desenhadeslizando nas janelas.Vou, misteriosamente feliz, atrás de um cãocomposto a meias entre a música e a chuva.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
O frio na praia
2012-01-31 01:33:00
As gaivotas levantamnuma lentidão de cinzascrepusculares.E é ainda meio-dia.Sobre a areiavejo as miúdas,velhas bandeirascom as quais,obstinadamente,a minha própria vidame faz sinais.As ilusões:que cansaço.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
Victória
2012-01-31 01:27:00
Escuto o vento com o rádio ligado.Oiço uma mulher ainda jovem que se queixade uma avaria eléctrica: ficousem electrodomésticos. Como faz séculos, diz.Como faz séculos.É pouco o que sei do meu lugar de origem,é pouco o que sei do mar brutalonde os pescadores da fome levantavamcom ganchos os atuns de um mar ensanguentadopara que uma mulher ainda jovem mas dura,que mais tarde foi minha mãe, se tornasse professora.Oiço o vento golpear a terra seca.O que nos espera. Moscas. Como faz séculos.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
Paisagem
2012-01-31 01:17:00
Chegámos ao último refúgio.Aqui começaisso a que talvez tu chames solidão.O primeiro passo para que esqueçamosquem somos e nos façamos companhiadebaixo da pedra que, gelada, nos cobre.Está tudo nos nossos olhos.E o desencanto, um rio daqui até à morte.Faltou muito pouco para que fôssemos felizes.- Joan Margaritin Misteriosamente feliz, Visor
A Dante, do seu tradutor
2012-01-31 00:44:00
Com um pedaço de carvão dos infernose uma rosavioleta e olorosado purgatório ? e com a luz ou sombradessa outra rosa cândidado Paraíso,________purifica-me.Queima, perfume, sanameus lábios e minha língua,___________________ e que minha mãoponha, ditado por ti, nas minhas palavraso que as tuas do nada fizeram.- Ángel CrespoAntología poética (1949-1995), Visor
Homem
2012-01-30 23:27:00
Lutando, corpo a corpo, com a morte,à beira do abismo, vou chamandoDeus. E o seu silêncio, retumbando,afoga a minha voz no vazio inerte.Deus, se tenho de morrer, quero-tedesperto. E, noite a noite, não sei quandohás-de ouvir a minha voz. Deus, estou a falarsozinho, arranhando sombras para ver-te.Estendo a mão, e tu cerceias-me o gesto.Abro os olhos: arrancas-mos vivos.Tenho sede, fazem-se em sal as tuas areias.Ser homem é isto: horror às mãos cheias.Ser ? e não ser ? eternos, fugitivos.Anjo com enormes asas acorrentadas!- Blas de Oteroin Ancia, Visor
E o verso fez-se homem
2012-01-30 01:27:00
1Ando em busca de um verso que saibaparar um homem a meio da rua,um verso que se tenha de pé ? aí está a diferença ?que até estenda a mão ou cuspa.Poetas: persegui esse verso,insistam, brandindo-o, e que estalerente ao homem ? arado, e foice, e gadanha ?,aconteça o que acontecer, sim!, doa a quem doer.Somos a escória, o carnaval do vento,ridícula terraplenagem, com o cude fora e a camisa aberta, agitando-se.Ando em busca de um verso que se senteentre os homens. Que se meta à besta,se ponha a olhar Tachia descaradamente.e 2Falo do que vejo: do balcãoe do copo; do varão e das suas duas mortes;escrevo aos gritos, digo coisas duras quese interessam até por Deus. Assim se fala.Venham ver o meu verso descer a rua.A minha voz em pelota debaixo da canícula.Poetas chatinhos, gente ridícula.Todos tão convencidos. Calem-se!Falo do meu cárcere: uma línguadesavergonhada, com as mãos no alto-falante:«Tachia!, que me dizes, como, onde, quando?»Escrevo como cuspo. Contra o solo(ah esses reles poet...
Sombras deram o aviso
2012-01-29 21:19:00
Cada beijo que dou, como se arranhasseo vazio, sinto o cheiro da carnede Deus, fome de Deus, sede abrasadana trança de fogo de um abraço.Agarro-me a ti, estendo-me no teu regaçocomo um náufrago atroz que geme e nada,engulo porções de mar e água rosada:as ondas, seios, suaves solavancos.Se te quebram os olhos e a vidachoras o sangue de Deus por uma feridaque faz nascer, para o amor, a morte.E é inútil sonhar que nos unimos.É loucura acreditar que pude ver-te,Deus, abrindo, entre a sombra, limos.- Blas de Oteroin Ancia, Visor
Cegamente
2012-01-29 21:06:00
Porque quero o teu corpo cegamente.Porque desejo a tua beleza plena.Porque busco esse horror, essa cadênciamortal, que arrasta inconsolavelmente.Inconsolavelmente. Dente a dente,eu bebo do teu amor, da tua noite cheia.Dente a dente, Senhor, e veia a veiavais sorvendo a minha morte. Lentamente.Porque quero o teu corpo e o persigoatravés do sangue e do vazio.Porque busco a tua noite toda, inteira.Porque quero morrer, viver contigoesta horrível tristeza enamoradaque hás-de abraçar, Deus, quando eu morrer.- Blas de Oteroin Ancia, Visor
O livro no mercado
2012-01-28 05:10:00
(clica para aumentar)
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As seis cordas
2012-01-28 04:41:00
A guitarrafaz chorar os sonhos.O soluço das almasperdidas,evade-se p'la sua bocaredonda.E como a tarântulatece uma grande estrelapara caçar suspiros,que flutuam no seu negropoço de madeira.- Federico García Lorca(tradução de J. E. Simões)
A vida não me interessa.
2012-01-27 17:35:00
A vida não me interessa. Algumas florentinas esbeltas, de xale escuro pela cabeça, alguns tipos de homens fortes ? e mais nada. De ilha a ilha ? Corvo e Flores ? vão quinze milhas ? mas que distância as separa!... Aqui há escrivães de fazenda ? empregados públicos ? senhores e plebe. Compreendo o Corvo, não compreendo os interesses mesquinhos, moídos e remoídos numa pequena vila isolada a cem léguas do mundo. Vejo às janelas, por dentro das vidraças, fisionomias tristes de velhos que estão desde que se conhecem à espera de quem passa ? e não passa ninguém. É aqui que o hábito deita raízes de ferro. Oh, meu Deus! descubro que a gente enterrada há cinquenta anos se encontra outra vez nas Flores, viva e aferrada às mesmas palavras e às mesmas manias do passado, numa meia-sombra em que se cria bolor. Estou talvez no Purgatório ? o Inferno é mais ao norte... Certos seres mortos na minha mocidade, e que eu não sabia onde se tinham metido, foram desterrados para as Flores. Até personagens ...
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Criatura n.º6, por Osvaldo Manuel Silvestre
2012-01-27 00:23:00
Ao número 6, a ?Criatura? ficou verde, deixando-se das habituais tonalidades soturnas. Se o gesto é de afirmação, saúda-se, tanto mais que só lhe podemos reconhecer razões e razão, pois, no concerto escasso das revistas portuguesas de poesia, ?Criatura? é aquela a que mais confiamos a hipótese de uma renovação geracional. A revista merece a nossa confiança, cabendo neste número o papel de revelação a Ana Duarte. Uma geração depois, reconhece-se o impacto produtivo do imaginário de Adília Lopes, ainda que ?por outras palavras?: ?Gosto de escutar às portas / quanto os outros fazem amor / (ou lá como se diz). / Gosto de pensar que fazem / o que eu também já fiz, / embora / por outras palavras?.A diferença de ?Criatura? começa por ser gráfica. A revista consiste em ?poemas na página?, em composição legível e sóbria, sem índice, apenas com um separador com o nome do poeta que, no caso de ser estrangeiro, beneficia de breve apresentação. A abrir e a fechar dois textos, sempre: o ?prefácio...
Amanhã
2012-01-26 23:04:00
4º Encontro: Crítica em ensaioModerador: David Teles PereiraConvidados:Gustavo RubimJoão BarrentoRosa Maria MarteloSilvina Rodrigues Lopes27 de Janeiro / 18h-20hFaculdade de Ciências Sociais e HumanasEdifício ID, r/c
Chuva estival
2012-01-25 23:22:00
Na solitária noite sem vivalma,tíbia, agitada, leve cai a chuva,só para si só.Íntima bailarina pela noite,misteriosa, enlouquecida,acolá chora, voa, sustém aqui o riso,resmoneia caprichosa, suspende-se,brincalhona, inquietante,chega e parte, cala-se, regressa de longecom sorridas lágrimas,intenta dizer algo que em suspiro morre.E escapando-se entre sussurrose vozes de sereia,deixa no ar um mórbido perfumede amor defunto em memória lancinante,e na alma o errático, incurável,secreto amor de todas as derivas...- Tomás Segovia(tradução de J. E. Simões)
A sombra
2012-01-25 16:03:00
Como todos os homens sou estranhoa mim mesmo e me estranho quando vejono meu espelho alguém que não conheçoe contudo jamais sai do meu pêlo.Que cara é este? (ou: quem é este gajo?caso a pergunta fosse em Portugal).Meu caminho é um atalho, e nele topoos despojos da aurora boreal.Valho o que vale a minha própria sombra? a jocosa espiã que se contundea rastejar nos paralelepípedos,E a ela digo: Sombra, és como eu,tão alheia de mim e não me largas,e tão colada a mim que não me assombras.- Lêdo Ivoin Poesia Completa, Braskem
O desconforto
2012-01-23 21:08:00
O dia está cheio de palavras.Elas escorrem como a água das sarjetas ou a saliva da boca dos demagogos.Espalham-se no chão como as folhas de um outono excessivo.Transbordam das lixeiras junto com as latas de coca-cola e restos de comida.São piolhos que avançam na selva da tarde.Ninguém pode viver sem as palavras.Isto explica o desconforto dos passageiros do metrô.Condenados a um silêncio temporárioeles se entreolham suspeitosamente na plataforma da estaçãoe estremecem quando as portas do trem se fecham.Embalados pêlos solavancos de uma viagem sem paisagemouvem os vagões rangerem nos trilhos taciturnosna escuridão que sustenta o clamor da cidade.É o que sobra do rumor do mundo. Mas eles querem o instanteem que, devolvidos ao dia loquaz, voltarão a falar.- Lêdo Ivoin Poesia Completa, Braskem
Cinco Rosas para António Manuel Couto Viana
2012-01-23 16:43:00
Na terça-feira, 24 de Janeiro, às 18 horas, realiza-se uma HOMENAGEM A ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA, com leitura de poemas seus por Manuel de Freitas, Miguel Martins e Luis Manuel Gaspar, e lançamento do livro «Cinco Rosas para António Manuel Couto Viana», editado pela Averno, com desenhos de Luis Manuel Gaspar e um texto de Manuel de Freitas.Sede bem-vindos!BAR A BARRACALargo de Santos, 2Santos-o-VelhoLisboaSAUDADES DO QUE NÃO FUIPara Manuel de FreitasSaudades da boémia que não sei:O excesso de bebida. O charro.(Eu sempre fui respeitador da lei,Mas de barro.)Saudades do balcão com a amizadeE o copo de cerveja.(À noite, despe-se a cidade:Único corpo nu que me deseja.)Saudades do carinhoNo ombro, na coxa, no cabelo.(A mão da morte entorna o vinhoÀ sede de bebê-lo.)Saudades desse alguémQue não sei onde mora.(E não sei de onde vemQuando demora.)Saudades do amorQue nunca foi o meu.(E de que sou acusadorE réu.)Saudades a exigir ao velhoA vertigem da fuga.(Mas não se pode destruir, no es...
Luther (1ª e 2ª temporadas)
2012-01-23 13:47:00
8/10
O Contrabandista
2012-01-23 10:03:00
Nenhum poeta é obscuro.Tudo o que ele diz é clarocomo um palavrão num muro.Mais claro que a luz acesaé o poema mais hermético.Pão matinal numa mesa.Na noite misteriosanenhum mistério prospera:apenas freme uma rosa.Qualquer menino decifrao soneto indecifrávele o verso mais sibilino.O poeta sempre diz tudoquando se cala em seu nada.É um contrabandista mudona alfândega da vida.- Lêdo Ivoin Poesia Completa, Braskem
Epigrama do pássaro
2012-01-23 05:02:00
"Precisamos deixar algo para a posteridade",disse o poeta, contemplando o garique recolhia o lixo da cidade.E o pássaro que não deixa nenhum canto após a mortee se limita a ser vida no ar pereneque habita o instanteem silêncio pousou no ramo de uma árvore.- Lêdo Ivoin Poesia Completa, Braskem
língua morta 020
2012-01-22 18:38:00
CAPA DO MESTRE LUÍS HENRIQUES-
É preciso divertirmo-nos um pouco
2012-01-22 15:18:00
É preciso divertirmo-nos um pouco, não é, entre duas síncopes. É preciso divertirmo-nos um pouco, longe do círculo familiar que almoça sobre a erva vermelha à beira da estrada. Só faltava mesmo ficarmos atados à cadeira como Ulisses e, tal como Ulisses, deixarmos tudo no Inferno. É preciso divertirmo-nos um pouco e percorrermos as estradas por onde anda Mercúrio, multiplicado por mil espelhos. É preciso divertirmo-nos um pouco e deitarmos a língua de fora à morte que nos vigia e que nos diz para não apanharmos nem frio, nem calor. Que preceptora! Que rasteira! É preciso divertirmo-nos um pouco e seguir a infância e os medos que a fazem correr a pés juntos até ao rio. É o único refúgio possível para evitar a preceptora que anda atrás dela.- Jean Cocteau(tradução de Inês Dias)
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