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O Melhor Amigo

O Melhor Amigo
Uma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue)
Articles: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7

Articles

Inglourious Basterds (2009) ou a melhor prenda que Tarantino me deu
2009-08-28 12:54:00
para o Diogo e para a BeatrizIÀ excepção do primeiro capítulo, este filme não nos mostra soldados Nazis a cometer qualquer tipo de atrocidade. E mesmo nesse primeiro capítulo, a atrocidade é secundária, poderia até nem ter sido filmada. Neste filme, Quentin Tarantino joga com o fundo comum de horrores em forma de imagens e histórias repetidas e repetidas que os últimos 50 anos de filmes, séries e livros têm mostrado. Toda essa memória comum sobre Holocausto e a Segunda Guerra Mundial que está nos antípodas de Inglorious Basterds é, paradoxalmente, aquilo a que Tarantino espera que o espectador recorra para tomar por legítima esta vingança.Ao estatuto de realizador de culto e, curiosamente, também de massas, muitos críticos têm respondido com um ataque cerrado às fraquezas morais e à falta de verdadeiro propósito artísticos dos filmes do realizador de Pulp Fiction. E sejamos sinceros, os seus dois últimos filmes, Kill Bill: Vol. 2 e Death Proof são fraquinhos, muito embora eu tenha d...
Inglorious Basterds (2009)
2009-08-28 01:45:00
Uma pequena vingança, mas de muito bom gosto - 8/10
The hottest state (2006)
2009-08-27 18:51:00
Não é um grande filme. A realização é até bastante pobre quando não desastrada, e o casting no mínimo duvidoso - faz-nos pensar noutras escolhas, escolhas melhores -, nem o argumento é sequer original, mas tem frases que deixam buracos, vidro partido... É uma boa forma de dizer adeus a alguém, ou ficar calado, não dizer mais nada.
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Acerca de gatos
2009-08-27 15:55:00
Em abril chegam os gatos: à frenteo mais antigo, eu tinhadez anos ou nem isso,um pequeno tigre que nunca se habituouàs areias do caixote, mas foi quemprimeiro me tomou o coração de assalto.Veio depois, já em Coimbra, uma gataque não parava em casa: fornicavae paria no pinhal, não lhe tiveafeição que durasse, nem ela a merecia,de tão puta. Só muitos anosdepois entrou em casa, para sersenhor dela, o pequeno persaazul. A beleza vira-nos a almado avesso e vai-se embora.Por isso, quem me lambe a feridaaberta que me deixou a sua morteé agora uma gatita rafeira e negracom três ou quatro borradelas de calna barriga. É ao sol dos seus olhosque talvez aqueça as mãos, e partilhea leitura do Público ao domingo.- Eugénio de Andrade
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Liz Rosenberg
2009-08-27 00:56:00
Introdução"(...) Não interessa o que gostas de fazer - reparar bicicletas, correr longas distâncias, rezar, cozinhar, jogar à apanhada, escrever poemas. O importante é que o faças o melhor que sabes. O poeta Rainer Maria Rilke escreveu, "Deves mudar a tua vida". Também nós poderíamos começar agora." (versão minha do último parágrafo da "Introdução" a The invisible ladder - an anthology of contemporary american poems for young readers, Henry Holt and Company, Nova Iorque, 1996, p. 5).
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Desde Artaud: um e-mail
2009-08-25 17:00:00
à décima noite em Parissonhei que viajava enfim paraParischovea noite entra na casana mesa de trabalho dois copos vazios de Suzeà frente de um poster de Artaud que demorei adecifrarà direitaum desproporcionado mapa-mundo ondequase só há oceano (custar-te-ia crer tambémno intricado jogo de palavras de um cartazna parede do lado esquerdo)a imaginaçãopode ser fatallembro a primeira frase de Os passos em voltaondequerendose enlouquecea estranha posição de um homem fotografado junto àTorre de Saint-Jacques que se apresenta há muitotapada em lento trabalho de restaurohá uma baleia perdidasubindo o rio Amazonas em direcção a quêuma multidão em Bagdad rising from thetypewriter of William S. Burroughsé tardea noite tomou esta sala de silêncio como sefosse crude devagar pelo casco de um naviono fundo do marescrevo-te desde Artaud até à saudosacasa nos arredores de Amesterdão onde terás chegado hojeuma casa que conheces bem onde sabes o lugardos pratos dos talheres a tonalidadedas estações nas...
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Emersoniana
2009-08-25 02:35:00
a oeste são os planaltos, a vida selvagemque um céu de água recolhe,um horizonte de coisas por dizer, por acontecermas a verdade mais abstracta é a mais prática:let him look at the stars. tão longedo seu próprio quarto como da multidão.por isso os selvagens, que não têm maisque o necessário,conversam em figuras.esta dependência imediata da linguagemesta radical correspondência das coisas visíveisnunca perde o poder de afectar-nos.devemos ir sós, vivos e sós. i mustbe myself.tudo quanto Adão teve, o céu a terra a sua casa,tudo podes e tens.keep thy state; come not into their confusion.constrói, sim, o teu reino, o teu mundo: natureza. - António Franco Alexandre[As Moradas, 1987]
Taken By Trees - My Boys
2009-08-24 19:00:00
Uma cover genial da música mais genial do álbum mais genial de 2009, sobre o qual já salivei o suficiente aqui. Agradeço à Menina Limão pela descoberta.
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Em loop
2009-08-23 16:10:00
por contágio aqui ao lado
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suffering jukebox
2009-08-21 22:51:00
(...)well I guess all that mad misery must make it seem to true to youbut money lights your world up, you're trapped what can you do?you got Tennessee tendencies and chemical dependanciesyou make the same old jokes and malaprops on cuesuffering jukebox such a sad machineyour filled up with what other people needhardship, damnation and guiltmake you wonder why you were even builtsuffering jukebox in a happy townyou're over in the corner breaking downthey always seem to keep you way down lowthe people in this town don't want to know-
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Não sei se são os trinta anos
2009-08-21 22:51:00
Não sei o que se passa comigo:cada vez me assusta mais a solidão.Aos vinte anos, aos vinte cinco,figurava o paraíso como um quarto vazio,onde o silêncio de um livro ressoavapela noite dentro. Protegia dos amigosminhas horas, dos irmãos, dos apelosdo telefone. Como um cego de nascença,estudava a escuridão. Sonhava-merecluso numa ilha de fragais, rodeado,de trincheiras, distante de pracetas,acenos, convites pra jantar.O lamento era o meu hobby preferido.Não sei se são os trinta anos, a chuva,o sabor de mais um dia derrubadonos transportes colectivos,a queda maligna das primeiras folhas;não sei o que é, talvez o teu amorcomece, pouco a pouco, a civilizar-me.Agora, se chego a casa e tu não estás,corro a pôr música, abro janelas,agarro-me ao telefone, como um náufrago,incapaz de suportar por um segundoo terror emboscado debaixo da cama,atrás das estantes, dentro de mim.- José Miguel Silva
Poema
2009-08-21 22:50:00
De rosto empapado numa manhã quedormiu pouco com o marestranho ainda nos lugares de ontem.Espreguiço-me e empurro a colcha da camacom os desenhos de criança,cheia de barulho. Um recreio ou assim,aquele balanço todoa apertar-se em cada gesto.E a luz chega louca atrás das coisas, meiodesajeitada, uma fibra de doçuraalargando em nosso redor a mancha de coreslentas e os frutos sobre a mesacomendo-me os olhos.O que as palavras, desde cedo,aprendem com istode nos deixarmos quietos, às vezesbeber, fumar um cigarro.Distâncias maiores ou menoresque se põem e sobram para os lábios.Vou sair, vens?Olha como se dão as ruas, como as desçoa esta voz murmurando a si mesma,ou assobiadas com as mãos indofundo demais nos bolsos.E agora deixa-me mostrar-te,ali, defendida entre valados, o sumoe as sombras na azinhaga das nespereiras.A cinco minutos, nem tanto,a barraca do Cabral que prefiro a esta horaquando a maré aviva, me soajunto à infância e assim dá para ouvira minha mãe: Diogo, não te afastesmuit...
Desenraizados
2009-08-21 22:49:00
Chega de mar. Já vimos mar que chegue.Ao entardecer, quando deslava a água se estendee esfuma no nada, o meu amigo olha-a fixamentee eu fixo o meu amigo e nenhum de nós fala.Chegada a noite, acabamos por nos fechar nos fundos de uma taberna,perdidos no meio do fumo, e bebemos. O meu amigo tem sonhos(o bramir do mar torna os sonhos um tanto monótonos)em que a água é apenas o espelho, entre uma ilha e outra,que reflecte colinas salpicadas de flores selvagens e cascatas.Quando bebe, dá-lhe para isto. De olhos postos no copo,vê-se erguer colinas verdejantes sobre a planura do mar.As colinas, a mim agradam-me; e deixo-o falar do marporque a água é tão clara que se vêem mesmo as pedras do fundo.Eu, o que vejo é só colinas, e enchem-me o céu e a terracom as linhas nítidas dos seus perfis, distantes ou próximas.Mas as minhas são agrestes, estriadas de vinhedosque crescem penosamente num solo calcinado. O meu amigo aceita-ase quer vesti-las de flores e frutos selvagenspara nelas descobrir, e...
4 Copas - Manuel Mozos
2009-08-21 11:06:00
Sobre o filme Xavier de Manuel Mozos é costume ouvir-se dizer a muito cinéfilo português que, se tivesse estreado no momento em que foi feito, a história do cinema português das duas última décadas teria sido bem diferente. Cheguei atrasado ? e ao que parece o filme também ? para poder juntar mais um tronco seco ao lume dessa discussão inútil.Mas vi-o não há muito tempo e gostei.Por isso mesmo e por mais algumas coisas, senti claramente ameaçada a minha percepção crítica para com este filme, tal era a vontade com que estava de elogiar 4 Copas. Entrei na sala a meio dos trailers publicitários quase como um adepto de futebol a entrar no estádio na parte final do aquecimento, ansioso e com esperança. Talvez por isso, os dois ou três primeiros problemas do filme não me causaram mais que um ligeiro arrepio. Por outro lado, até chegar à última meia hora do filme, estava convencido de estar perante o melhor filme português desde Alice de Marco Martins.Ainda agora, que já passaram umas hora...
Um filme respeitável e depois um genial
2009-08-21 05:44:00
Do filme do Manuel Mozos, 4 Copas, digo que gostei de o ver e que se lhe desculpam algumas indelicadezas porque esta é uma história que merece ser contada e que constrói suficientes momentos fortes, seja pelos personagens e através da representação, seja porque no fundo a ideia de que vive o filme é realmente uma boa ideia. Assim o que fica sobretudo é a sensação que era possível ter-se tirado mais desta. Mas o David, no post anterior, mostra muita atenção e consegue uma análise pela qual não tenho dificuldade nenhuma em alinhar. 6/10 é a nota que leva.A este o David já não pôde acompanhar-nos. Chama-se Synecdoche, New York e dou-lhe 11/10.Rebenta a escala? Sim. E sim, talvez eu seja muito dado a exageros, mas não consigo sequer começar por explicar como ou o quanto me entusiasmou este filme. Achei-o absolutamente genial. Sinto, por isso, que tudo o que posso fazer é ser o mais veemente possível ao recomendá-lo: O melhor filme que já vi! Vão vê-lo ou vão-se foder.
Evening empire
2009-08-21 05:35:00
A respiração contida num último esforço,imitando o movimento entre as cores ecomo a luz algumas vezes se fixa e cansa,se perde em cada objecto, outras vemlançada, passa e deixa tudo a meio ?os olhos mal têm onde criar um hábito.O café trouxe um reforço aos contornosque a tarde de agosto abandonava. E euestava só, com uns versos desses parvos,sem nada, a apanhar sêcas e escuras bagasque se desprendiam do silêncio, um poucoantes de nos encontrarmos.Para a minha t-shirt branca com duas nódoas,tinha ela um padrão monótono e flores depoisatiradas sobre o pano cru, com botões enormese um bolso rasgado. O forte bronze sazonalescondia-lhe a breve idade, e entre as mãostrocava um copo de vinho ou fazia-o demorarsob a tremida linha da boca.A noite foi ficando caída naquele terraço,um bar improvisado e aquela gente todaque chegava ? tão poucas horas depoisseria difícil adivinhar, mas quase ninguémse conhecia. Veio um gajo, foi buscar outroainda, ocuparam-se de nós. Evidentementese alguma coisa...
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Zulmira, ao entardecer
2009-08-18 22:05:00
Encontrei-a talvez pela última vezna rua limpa de um «sábado morno».Fingi não a ver, vergonhade um rosto outrora depostoà sombra de um mínimo reino? de nós dois, de outros mais.Foi seu o apelo, um largo sorriso cariadono intervalo de varrer o passeio«só até às três horas», para de novoabrir a taberna onde ninguém lhe suplicaráa alegria falsa de copos de vinho capazes.Minha mãe podre, ignorante para semprede o ser, acumulou naquele sorrisojá velho as duas únicas profissõesde atestada nobreza: o cuidado raso das ruas(tardia esmola municipal) e o ofíciode calar a sede. Ela só me há-de um dia velarnum íngreme adeus sem regresso.Encontrei-a ali, talvez pela última vez,no coração deserto da cidadeque reneguei. Minha pobre mãe que o foie não tive, a sorrir p'ra mimo mesmo sorriso mais velho que iluminouincertas inúteis tardes. Que só ela saibao luto de eu ter nascido para vinhosfortes, afectos cansados, desígnios nenhuns.- Manuel de Freitas
Light Unfolded
2009-08-18 16:16:00
the shade beguiles meit plays back and forth with that vague songthat used to remain between usin the spring of your voiceit caught me a long time agoby the eye by the moving stillnessthat is concealed by a shift of your eyelidsa long lost song that comes from a distanceand scatters me to piecesthat song guarded by a slight shade of your eyesin a rapid motion of your eyelidsa shade that beguiles me likesome unknown distances do to newcomers in small winter cities enclosed with fog at day breakno emotion there thoughjust the proximity of a familiar movementof light fast shaped and unfolded
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Apontamento de uma tarde
2009-08-18 15:27:00
Que outros cantem as armas e os heróis,os abismos do serou a complexidade do universo.Deixai que eu diga a graça irrepetíveldesta tarde de abril, a efémera belezada luz, que é minha amiga e tranquilamenteacaricia o papel onde escrevo.- Eloy Sánchez Rosillo
Primeiro de Dezembro
2009-08-17 23:59:00
O Primeiro de Dezembro é um café pobre. O donose reconhece a sua casa neste versonão vai gostar. Que posso fazer? Recordo a sala ampla;deu lugar a várias divisões ? salas de restaurante ecafé ? o espaço de soalho carcomido; estremecia aopasso dos clientes. Cheiro a café de saco bem quenteservido em copo. E o vinho que bebiam ao balcão, Gaeirasde reduzida colheita de lavrador, quando a luz incidia,brilhava como telha vermelha magoada de luar.A vila ? se alguma coisa de qualidade emPortugal deixasse um dia de ser pobre ? tem hoje arre-medos de casinha de chocolate.Fico-me pela esplanada no desvão do largo irregular eperfeito. Em frente, o portal da ermida de São Martinho;dois túmulos prendem-se à estreita frontaria. À direita, aparede lateral da igreja de São Pedro; ao lado esquerdo,armas plenas do reino, coroadas, dão corpo ao edifício dacâmara. Buganvílias crescem na diferença do vermelho e do roxo.Cimeira à ermida, uma velha casa aluga quartos. Um diahei-de fazer de turista e aluga...
A ponte
2009-08-17 02:57:00
Se me disserem que estás do outro ladode uma ponte, por estranho que pareçaque estejas do outro lado e que me esperes,eu vou atravessar essa ponte.Diz-me qual é a ponte que separaa tua vida da minha,em que hora negra, em que cidade chuvosa,em que mundo sem luz está essa ponte,e eu atravesso-a.- Amalia Bautista
A questão urbana
2009-08-16 16:51:00
1.estas cidades, grés animal, as garrafas de sangue nos passeios,prenunciam devagarmente um acordar translúcido. o quemovimentam no espaço, e aos bandosos pássaros decifram sobre o musgo e a hera,é o mesmo ar que na traqueia queima; e o cimento,translúcido, o mesmo que nos braços percorreu as veias,que nos olhos foi lava, que nos brilhou na bocadizendo: estas cidades, grés animal, um acordar sem boca.2.movem nos muros, a vagina mineral das mãesadormecidas, entre os apitos trémulos do açoe lenços verdes onde ocultam a cara. prenunciam, é certo,algum visível afastamento das madeiras, algumpensamento violentado, por isso as coisas permanecem sentadase compreensíveis, afastadas de súbito pelo vento oco.3.arrebanhados, como cães feitos de água, os dentesentendem, decifram sobre o grés as patadas da terra,espalham na violência um musgo que prenuncia atransparência. foram construídas, assinaladas sobre o mapa porbandos de pássaros, respondem a algum ódio decisivo,algum afastamento da violê...
E o chão fosse meu coração
2009-08-15 12:33:00
Partira. E por isso me doía a cabeça e nãodormira toda a noite. Ficara enrolado noslençóis, à escuta, esperando um regresso,esperando não sabia o quê.Compreendia que continuava ainda na mesmasensação de expectativa,à espera de qualquer coisa, numa ansiedade quenão passava como se a vida não pudesse maisser a mesma, apesar do próximo invernoapagar inexoravelmente todos os sinais.Partira. O inverno encarregar-se-ia, pouco apouco, de tudo esbater. Aqueles meses tãocheios da sua presença haviam de recuar, deperder importância, de desbotar e de seirem fundindo noutros dias.Perder-se-iam no abusivo uso dos infinitos quedão sempre uma poesia frouxa,uns versos de incidentena pressa de registarmos um acontecimentoextravagante.Partira. Não deixaria de tirar daí algum proveito,um pano torcido acima de um balde como sese lavasse o chãoe o chão fosse o meu coração.- João Miguel Fernandes Jorge
next parlor
2009-08-14 00:37:00
it occurred to me suddenlywhen I was sitting by the fireI thought you were standing there by the parloryour body covered by a silent still lightno sounds no movements no games of shade and lightjust your bodyand thenthen for the last timea sudden irretrievable impulseforced me to stayI wanted to haunt you I guess one last timeI wanted to tell you some talewords of kindness made not of fire nor icea green shadowed word where your shapecould grow and dance with no soil resistancewhere it could pay me a visit from time to timebut I?ve grown impatient full of doubts and woesno green god will grant me more timejust this dull silenceimposed by my body standing at the doorthinking you're neverthless standing therenaked in the next parlorno thoughts no words no gestureit figuresjust your bodythat kinship bond of your silent presence(what in you makes me resemble to closeness)no word can restore me to
Deus nos lírios
2009-08-12 11:32:00
para a minha mãesinto deus, todas as noites, nos líriosde Monte. olham por mim,por esta sombra incerta que morreaos poucos comigo, cobremde seiva viva a escuridão da casae afastam os demóniosque se escondem nas frestas do sono.pela manhã, junto as pétalas tenrascaídas no lençol, e rezo baixinho,com os pardais, um verso branco.- Renata Correia Botelho
Public enemies (2009)
2009-08-12 01:32:00
9/10
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Escrito na areia
2009-08-11 13:31:00
Um resto de alegria desatentaera o que aguentava a vilaaté inícios de junho. Traços firmescarregando a dimensão útil do abandono,dias conseguidos a uma visãointerminável: o galope de uníssonoscavalos de cinza na eterna viagemque faz o mar. Sítio onde me foi fácilpassear, beber, entristecer-me? assim mesmo ? de propósito.O arco do peito sustidosobre tons leves, a base de uma docepintura, espalhando acertadamenteum certo rubor sedativo. As casas abaixadaspelo sol: esmerava-se a luz, adocicandoa pequena inclinação entre as ruasmais de trás e as primeiras esplanadas.Não foi de muitos a brisa amorfaque desenhava os toldos, escorrendosobre o nosso colo.Alguém trouxe um rádio a pilhaspelo pulso, sentou-se e deu folgaa uma musiquinha invertebrada que veio,se agachou aos nossos pés, dobrando-seno calor do fim de tarde.Pude jurar que tive intervalos sem nada,sem pensar, melhor ainda: sem um sinalde mim. Mas a distância é uma razãopontual, e junto a essa horaviu-se tocada. Talvez fosseum eco, ...
Rua Cecílio de Sousa, 11, Lisboa
2009-08-09 15:28:00
Durante a próxima semana vou passar música nesta discoteca surrealista.De 10 a 15 de Agosto, aberto das 14h às 20h.
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Árvore
2009-08-08 08:35:00
IAs raízes da árvorerebentamnesta páginainesperadamentepor um motivoobscuroou sem nenhum motivo,invadem o poemae estalammonstruosasbuscando qualquer coisaque estáem estratosfundos,IItalvez poços,secretasfontes primitivas,depósitos, recessosonde hajaum pouco de águaque as raízesprocuramde páginaem páginacom a sua obsessão,múltiplos filamentostrespassandoo papel,IIIseguindo o fioda tintaque desenhaas palavrase tentafugir ao tumultoem que as raízesgrassam,engrossam, embaraçama escritae o escritor:como podemcrescerde tal modoIVno poema,se a árvorefoi dispersaem pranchas de soalho,em móveis e baúsque fechampara semprecoisastão esquecidas,como podemromperde súbito impetuosasna aridezdo livroVe perseguir-meassim,se a areiadonde vêmjá vitrificadapelo tempoocultaa árvore que morreu:procuraminstalar-seno interior da linguagemou substituí-lapor umainfiltraçãoVIquasemortalizante:masde repentecomo apareceramas raízes sossegam[que terãoencontrado?]e retiramcom o mesmo fluxodo mar que se retraie d...
No Limits No Control
2009-08-07 17:52:00
Podia contar-lhe o que se diz em Portugal dos artistas, e dos cineastas portugueses, mas não quero angustiá-lo... Mas, portanto, "Os Limites do Control o" narra a história da vingança da margem sobre o centro?A vingança é inútil [uma má escolha de palavras do entrevistador proporcionou a "recriação" de um diálogo do filme: na cena final, Bill Murray pergunta a Isaach de Bankolé "Isto é o quê, uma vingança?" e Isaach responde, exactamente como Jarmusch, "A vingança é inútil"]. É uma metáfora, uma metáfora de uma tomada de consciência e de uma afirmação da consciência contra todas as imagens e ideias que lhe são impostas de fora. A personagem de Bill Murray é uma representação dos poderes convencionais de todo o tipo, político, económico, cultural. Nunca pude com aquele cinismo disfarçado de pragmatismo, que agora está outra vez na moda, que nos quer convencer de que o mundo é "assim" e só "assim". O "vocês não sabem nada da vida", o "não é assim que o mundo funciona", seguido da conve...
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