O Melhor AmigoO Melhor AmigoUma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue) Articles
A estrela da manhã
2009-08-03 23:04:00 O homem só levanta-se quando o mar ainda está escuroe as estrelas vacilam. Uma tepidez de hálitoeleva-se da margem, onde o mar tem o seu leitoe adoça a respiração. Esta é a hora em que nadapode acontecer. Até o cachimbo entre os dentespende apagado. Nocturno é o marulhar tranquilo.O homem só acendeu já um grande fogo de ramose vê-o avermelhar o terreno. Também o mardali a pouco será como o fogo, flamejante.Não há coisa mais amarga do que a aurora dum diaem que nada acontecerá. Não há coisa mais amargado que a inutilidade. Pende cansada no céuuma estrela esverdeada, surpreendida pela madrugada.Vê o mar ainda escuro e a mancha de fogoa que o homem, para fazer alguma coisa, se aquece;vê e cai de sono entre as pardas montanhasonde há um leito de neve. A lentidão da horanão tem piedade de quem já nada espera.Vale a pena que o sol se levante do mare o longo dia comece? Amanhã voltaráa cálida aurora com a diáfana luze será como ontem e nada mais acontecerá.O... More About: Estrela
Mareógrafo
2009-08-03 23:04:00 a folhagemagita-se sobre os bastidoresdeste textoleio:“quem passa o cabo Maleia abandona a pátriaâ€na esplanada do PrÃncipe Real a copaoferece uma folha à mesa onde reúno ruÃna e Agostoreorganizo a rota o plano de voosbelas são as rosas deste mês quente nas bermasem todos os quintais das casasna estrada para Góissobrevivem ao tráfego violentodos motardsvejo-as excessivas junto ao lago do Jardim da Estrelaquando corro para o eléctrico que tardará como tunesta holocénica época da minha esperadentro da noitetomo nota de dispersas canções em guardanapospalavras estrangeiras o comércio dos olharesa água doce dos gestos o latido de um cãoLisboa caminha em geral para o Oriente Próximodo Outonona mesa atrás alguém nomeia os sábios do Séc. XVIesses que considerariam escandaloso o erotismo sonoroda palavra Macintoshleio hora a hora o desenho dos polÃgrafosmeço marés com o rigor nefelibata dos amantesespalho na superfÃcie interior dos lugaresbarómetros, barógraf...
(em tempo de silêncio e destruição)
2009-08-03 03:04:00 Se viesse,se viesse um homemse viesse um homem ao mundo, hoje, coma barba de luz dospatriarcas: só poderia,se falasse destetempo, sópoderia balbuciar, balbuciarsempre sempresó só- Paul Celan More About: Tempo
Terra nostra
2009-08-02 05:31:00 A árvore caiunuma manhãp'lo ventode novembro.Ao seu redorrompea flor do aloés.À superfícierestado nenúfara flor vermelha.A árvore tombouficou em arcorasando a água.Curva perfeitae longa e vivae as folhas novasno lago.A florhá-de voltarno tempo certode março.- João Miguel Fernandes Jorge More About: Terra
Escrever
2009-08-02 05:30:00 A glória ou o mérito de certos homens consiste em escrever bem; o de outros consiste em não escrever.- Jean de La Bruyère
40
2009-08-01 22:07:00 folhas amarrotadas uma manchade tinta alastrando sobre a mesaa mão que pende da cadeiraenquanto indolentes entramospelo cinzento da tardeum raio de sol dança-te na cabelohá dias assimnada aconteceapenas tu me chegas à memóriacheio de dúvidas percorrendoleis que regem um idioma estranhoque tu e eu jamais falaremospor sobre as mesas estavam os primeirospapéis dos tempos em que comecei a ouvir falaro idioma estranho dos gregose aprendi a forma como eles diziam o maro mar percorríamos os cafés da baixae pela primeira vez ouvíamos falarda forma como a luz podepercorrer a sombraquanto nos corpos há de incêndio e cinzaera um nome com ventos e maréso lugar de onde desteos primeiros passos que cindema tinta ferida com que às vezes me escrevespenso ? sem certezasse terá deixado alguma margem para dúvidas
A Outra Banda
2009-07-29 22:24:00 A morte não é essa palavra que trazemosna boca.Ou no bolso das calças filosóficasem dias de maior tédio.A morte puxa por este poemacom a meticulosa energiade um atleta que nunca falta aos treinose sabe dominar a sedede uma marca.A morte é desportiva,é a alma musculada dos sentidosvelozmente dúctilno acto de amor mais sensualque o meu corpo já teve nas suas noitesde cama.Queres um conselho? Entrega-lheos teus momentos de glória.E deixa-a percorrer o estádio em júbiloaté chegar o baile das célulasque esperam por ela a vida inteiracomo o grande treinadordo universo.A morte convém que seja masculinana formae feminina no modo de vestiro disfarce.Dizes tu, a morte.E passas os dedos pelo meu corpoabstracto ao teu desejo.A morte, fazes tu com a boca.E dás-me o prazer num prolongamentolíquido.E a morte não demora.Dá-me a mão como tu dás o sexoe entorna sem vergonhauma vida de festa na sala mortuáriados meus dias.Morte não é palavra de morto.É a estrela caídado céu irreversível em que deixo d... More About: Banda
Filhos de Deus
2009-07-29 18:50:00 Hoje encontrei deusE ele disse-me que era um filho dele,Encontrei-o à saídaDa casa da mãe,E ele repetiu,Sou teu pai.Já puxando as palavras,Tortas disse-lhe que não:Porque eu sou o homem,Sou aquele homem por quem vocês passamTodos, todos os dias.Sou o jornaleiroQue não lê as notícias que vocês compram.Não distingo um ministro de um presidente,Só como carne vermelha,E putas baratas.Não gosto de música,Abomino os vossos livros,Os vossos SaramagosE Dostoievskys.Voto no político mais fotogénicoE ainda penso que o cu não tem sexo.Penso isso em silêncio,Como todos vocês.Faço a barba todos os diasElas queixam-se que pica,Que lhes pica a rata.E no final do diaDeito-me e não rezo.Custa mais, não custa?O lubrificante do sonoAcaba por ser a certeza de que amanhã:Vou vender as vossas notícias,Não criticarei nenhum político,Não lerei um único livroEngordarei com vaca e batatas fritas,Não encontrarei o amor de que tanto falam.Nem o quero encontrar.Vou acordar,Fazer a barbaE à noite nem rezo.Mas eu... More About: Reyes , Filhos
Para o Ruy Belo
2009-07-28 02:36:00 1.Levanto-me para a cruz de claridade da janela.Vejo afastar-se ao nevoeiro o corpo.Pelos mais improváveis dos caminhosa natureza responde-me:dentre os ramos das flores caídasa ironia da sombra sobre o peito deitado.A esperança de sobreviver ao inverno que vemestende-me ao sol de areia deste verão mortal.Uma asa de cinza corre no crepúsculobranca e difícil contra os rubrosnimbos abatidos sobre o mar.2.Não sei bem quem morre quando morrem os mortos.Os olhares dos outros voltados sobre nósapostam se valemos bastante a despedida.As supostas mágoas somam dividendosaos tempos vários e felizes em que permanecemos.A morte somos nós a calcular a palmoo choro organizado e o que vamos fingir a seguir.O nosso revólver sobrevivente disparaque também somos, que bom, grandes face ao que morreu.Na putice das letras morre-se sempre a jeitopara a momentânea maior glória dos vivos.- Joaquim Manuel Magalhães More About: Para , Belo
Edgar Allan Poe
2009-07-27 21:46:00 O inverno em Boston foi breve. Ele bebia. Sílabas abriam-se uma a uma pelos cantos do quarto. Gotas de álcool. Quem se lembra da chuva caída no seu nome?Folheou toda a noite os livros ancestrais e encontrou qualquer coisa, ninguém sabe o quê, talvez o retrato de Annabel Lee. Esboçou-o na vidraça carregada de sombra e o quarto amanheceu.«Mas isso pouco vale (diz a magia negra), o filtro apenas decompôs mais cedo o horror em luz, não alterou a solidão dos dias, que a noite separa uns dos outros para sempre.»- Carlos de Oliveira More About: Edgar Allan Poe , Allan
17
2009-07-27 12:44:00 no estio a sombra corre por um veio de águahá linhas na memóriaque o corpo não atravessae o horizonte resolve o que já descobres tardeo eco da rebentação correndo dentro
Variação Vinyoli
2009-07-26 15:44:00 Por que razão deveria abrir os olhos,se o que me rodeia já está dentro de mim.Em vão perco o que em vão procuro.Olhando sem olhar,tocando sem tocar, ouvindosem que até mim chegue já som algum,imóvel,______igual a uma pedra.Pouco a pouco,o oculto e o visível transformam-se num sócomo o rio________e a sua sombra.(E o silêncioé escutar o coração de um anjo.)Ponho à prova o presente:o seu ponto de chegada sem chegada.Pergunto-me quem sou,__________________quem és,_________________________quem somos.De pé , em frente ao abismo do silêncio,começa outra noite.- Josep M. Rodríguez
Ciclo
2009-07-25 15:55:00 O molar solitário de uma prostitutaque morrera no anonimatotinha uma aplicação de ouro.Os restantes, como por mudo acordo tácito,tinham caído.O funcionário da morgue arrancou-o,pô-lo no prego e foi dançar.É que, dizia ele,só o que é terra à terra deve voltar.- Gottfried Benn
O Poema de Amor
2009-07-24 22:52:00 Seria necessário escreverO que quer que seja, sobre o amorVindo directamente de um corpo nu,Que já fraqueza de tanto escrever sobre solidão.E o poema de amor é isso.São as entrelinhas das palavras,Dactilografadas na angústia dos cadáveresE das manhãs de ressaca que não acontecem.O poema de amor é isso mesmo.São os versos meus, quebrados,Sem estrutura, a encavalitaremIdeias desconexas e anónimos pela rua.O poema são demasiadas vezes gritos,O amor... Puff...O Amor é outra coisa.Já o poema de amor é isto.A falta de orgulho em frases,As pausas, os espaços, a tecla de enter,O branco entre as palavras.E ao amor resta-lheUm cigarro de pós-foda,Seguido de abraço quente em que possa dormir.Talvez tenha algumas aspirações,Projectos... Talvez isso seja ainda mais Amor.Mas poema de amor,Bem... O Poema de Amor, e vão-me desculpar a sinceridade:É papel que vai ser reciclado.Talvez um dia seja útil.O amor também, e vão-me novamente desculpar a sinceridade:É reciclável,E só por causa dissoÚtil. More About: Reyes
Caminhos de ferro
2009-07-24 17:24:00 A luz resiste até muito tarde. Tanto que nasestações de caminho de ferro se entrapela porta lateral. O chão está sujo, juntoà bilheteira. Horários melancolicamente suspensos,nas paredes. Como se fosse sempre tarde.O corpo gasto. Dentro dos comboios,as lâmpadas de néon fundidas nas estações.Passa-se pela noite. É uma inclinaçãoda cabeça sobre o ombro, tardia, breve. A almasuspensa da usura quando parte o últimocomboio. A cabeça entre as mãos.O empregado de balcão serviu sandes e o copode cerveja gelada que se entornou.Nada tenho a perder; dentroda estação, na luz suja da lâmpadaque oscila, adivinho os cigarros,o desconforto, a certeza de esperar até de manhã.- José Alberto Oliveira
Arte poética II
2009-07-23 23:48:00 A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna. Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta, corrompe e dilui uma túnica sem costura. Pede-me que viva atenta como uma antena, pede-me que viva sempre, que nunca me esqueça. Pede-me uma obstinação sem tréguas, densa e compacta.Pois a poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso, o poema fala não de uma vida ideal mas sim de uma vida concreta: ângulo de janela, ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e b... More About: Arte
Arte poética
2009-07-23 01:31:00 A poesia do abstracto?Talvez.Mas um pouco de calor,A exaltação de cada momento.É melhor.Quando sopra o ventoHá um corpo na lufada;Quando o fogo alteouA primeira fogueira,Apagando-se fica alguma coisa queimada.É melhor!Uma ideia,Só como sangue de problema;No mais, não,Não me interessa.Uma ideiaVale como promessa,E prometer é arquearA grande flecha.O flanco das coisas só sangrando me comove,E uma pergunta é doloridaQuando abre brecha.Abstracto!O abstracto é sempre redução,Secura.Perde,E diante de mim o mar que se levanta é verde:Molha e amplia.Por isso, não:Nem o abstracto nem o concretosão propriamente poesia.Poesia é outra coisa.Poesia e abstracto, não. - Vitorino Nemésio More About: Arte
Disposições de última vontade
2009-07-22 22:58:00 Não me proíbam que seja o imaginário amoroso,Nem me venham prenderÀ sua própria camaEsta vaga mulher que se insinuou na minha almaE acha o ninho gostoso.Não me amesquinhem nem reduzamSó ao que sou por fora e é negado por dentro;Mas também não me lastimem como quem diz de uma casa:«Que lindo jogo de varandas!É penaQue tenha o forro roto e cheio de ratos.»Deixem-me dormir,Dormir maciçamente e com todas as distensõesSemelhantes, no cómodo, à posição dos extintos,E sem tirar as polainas cor de café com leiteQue usam os rapazes distintos.Dormir! Estar pràqui quieto e atravessadoPelos fogos que perderam a direcção dos chamuscos,Pelos rastos dos cometas que deixaram o lume no céuE o atilho no mar ? papagaios enormes!O meu cinzeiro de fumador cá está crescendo;Cá estou fazendo os versos que hão-de dar «honra às letras».Que mais querem?Não é este o célebre Dever e a obrigação de cada um?Cumprida a qual ? desistamDe me pedir a volta ao costumado equilíbrio,À pacatez forçosa.Sofro com olhos na...
Portugal
2009-07-21 23:44:00 Este mendigo, outrora, era um menino d'oiro,Teve um Império seu, mas deixou-se roubar.Hoje, não sabe já se é castelhano ou moiroE vai às praias ver se ainda lhe resta o mar!- António Manuel Couto Viana More About: Portugal
Interior
2009-07-20 23:43:00 Por trás dos muros da nossa casaEstamos tão juntos que nos tocamos.O vento é brisa e a brisa é asa.Por trás dos muros da nossa casaTodos os frutos ficam nos ramos.Vivamos, pois, dentro de nós,Deixando aos outros o gesto e a voz.- António Manuel Couto Viana More About: Interior
O poeta e o mundo
2009-07-20 23:41:00 Podem pedir-me, em vão,Poemas sociais,Amor de irmão pra irmãoE outras coisas mais:Falo de mim ? só faloDaquilo que conheço.O resto... caloE esqueço.- António Manuel Couto Viana More About: Mundo
El once de septiembre
2009-07-20 14:51:00 PinochetÁs voltas, com o apêndiceJá agarrado à morteEspreitava ela Em tons latino-americanos a cortina gringa.Na mesa de cabeceira uma coca-cola,Ao pés da cama umas Adidas novas em folha,Lá fora, onde corre o riacho,Já lá vai o sangue dos apátridas.El doctor se queda mirando"Licita hoy te lo vamos a quitar...".E lá lhe quitaram o país,E lá lhe quitaram a infância.Vistas bem as coisas,O Apêndice nunca doeu assim tanto. More About: Reyes
Nunca poderia ser Bukowski
2009-07-20 00:03:00 nunca bebi um whisky inteiropelo que não poderia ser como elenão sei o que se sente na pele de um sedutorbêbedo, cansado e sujo,eu teria cortado o cabelocheiraria a tangerinae a minha casa seria brancarepara só no tempo que demorei com um panoenquanto ele escrevia sem pararnão sou partidária da violaçãonão me entusiasmaimportam-me as mulheresnão só como buraco e latrinaclaro que não tenho nada pendurado entre as pernasansiando por uma estreita caverna diferente a toda a horaisso conta bastantebebo sumos nos baresàs vezes cháe ao terceiro chá mudo para água mineralporque me excita em demasiapoderia acontecer alguma coisa e eu não posso arriscarbem vêssou medrosaassustar-me-ia ser como eletenho medo dos cães e das noites na ruanão sei vaguear sozinha à procura de sexonem sei onde se vendem drogasnem quanto custamse por acaso as pudesse pagaràs vezes vejo suspeitos cochichando em grupoe não me aproximocomo de certeza ele fariacorro na outra direcçãoaquela onde ... More About: Bukowski
Enigmas e despedidas
2009-07-19 18:28:00 Um gato que mia na noite antes de morrer,um gato que mia, o seu histérico adeus.Que segredo, que estranho e banal mistérioa vida nos oculta nesse grito atroz?Como olhar depois o seu lugar na sombra,as unhas da morte, a pele da impotência?Tantos anos a partilhar o destinoque é agora uma cesta vazia,derrotados arranhões, uns olhos apagadoso absurdo de tudo, enigmas e despedidas.- Juan Luis Panero
Montanha
2009-07-19 13:21:00 Eu fiz das grandes cidades o meu desejo,nelas subia à montanha invisÃvel onde era quentee seguro. Na impressão da tua boca havia uma árvoreque me abraçava contra a frialdade do céu.VerÃamos essas praças cheias de gente inócua,os palácios pequenos e arrumados como num livroque já não apetece. Perder o sentido ao mundoera apenas como perder o caminhopara casa, uma questão simplesmentetopográfica. E eu trocava a nata de um ano inteiropelos primeiros segundos da tua respiração,dava-te os meus pulsos a beberna latitude conquistada aos últimos pássaros. - Rui Pires Cabral
Ritual
2009-07-18 15:26:00 a jarra tomboua água correu sobre a mesaas flores calaram-se aos poucoso espantalho tocou o acordeãoa criança cansou-se do ventodesatou as sandáliaso mar meditou duas vezesqual o horizontedo sótão a galinha presaviu um avião voaruns quantos vestiram-se de negroviveram da morte dos outrossuicidou-se uma sombradebaixo do meu péa mulher vestiu-se de brancopara a Ressurreiçãoo paÃs desbotouno mapa das escolasamor que esperas de mima não ser eu- Luiza Neto Jorge More About: Ritual
Ilsa, She Wolf of the SS (1974)
2009-07-17 18:32:00 Nos últimos dias tenho-me questionado bastante sobre Deus e sobre aquilo que me leva a gostar de ver este tipo de filmes sobre os quais escrevo. A minha namorada diz que já leu qualquer coisa em Carl Jung que explica ambos os problemas.Quanto a Deus, cada vez que penso nisso, acho que o faço porque sou medricas. Gostar de filmes tipo esquisitos tem uma justificação diferente, é porque sou sportinguista.Um gajo que é do Porto vai ter tendência para os grandes épicos, como Braveheart ou Gladiador. Já o pessoal do Benfica, pavões de pré época, devora comédias românticas britânicas. Cada lampião é, em alternativa à hipótese das comédias românticas, um potencial fã de David Lynch. É vê-los estoicamente nas bilheteiras dos Lusomundo com esperança que o novo filme do Lynch volte a estar ao nível a que o realizador esteve no Twin Peaks, da mesma forma que ano após anos estão nos cafés durante os meses de Julho e Agosto certos de que nesse ano a equipa é mesmo imbatível.Ma oss sportinguistas... More About: Wolf
A Falha (2000) ou o triunfo da minha nuca
2009-07-17 17:20:00 Como prometido, hoje vou dedicar-me a esse pote recheado de ouro no fim de um arco-íris que são alguns filmes em que entra o Rogério Samora. Este é especial por três razões:a) Porque é extremamente parvo;b) Porque é do João Mário Grilo;c) Porque a minha nuca entra neste filme.Vou começar pela parte séria que é aquela que o realizador se esqueceu de pôr no filme. Adaptando um romance de Luís Carmelo, é-nos contada a história de um grupo de pessoas que, um porradal de anos depois de terem concluído o liceu, se reúnem para recordar o passado. A história fazia todo o sentido e fazia-o em especial para o realizador, que pertence mais ou menos à geração que passou pelo 25 de Abril na adolescência e que é exactamente a geração que se pretende retratar. Numa escolha feliz de alternância entre tempo real e retrospectivas, procurava-se o contraste entre os sonhos e a realidade, entre a ambição e a resignação, entre as aspirações e a falência de uma geração que viveu activamente e enquanto jov...
Poesia portuguesa do século XX
More articles from this author:2009-07-16 12:48:00 Deixaram-nos um legado poético esmagador.Eis um esforço antológico que disso não nos deixa qualquer margem para dúvidas:VITORINO NEMÉSIO | RUY CINATTI | JORGE DE SENA | SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN | CARLOS DE OLIVEIRA | EUGÉNIO DE ANDRADE | ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA | MÁRIO CESARINY | HERBERTO HELDER | ANTÓNIO JOSÉ FORTE | FERNANDO ASSIS PACHECO | ARMANDO SILVA CARVALHO | LUIZA NETO JORGE | A.M. PIRES CABRAL | FÁTIMA MALDONADO | ANTÓNIO FRANCO ALEXANDRE | MANUEL GUSMÃO | JOSÉ AMARO DIONÍSIO+ JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE e JOAQUIM MANUEL MAGALHÃES (as duas ausências) More About: Poesia , Portuguesa 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 |



