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O Melhor Amigo

O Melhor Amigo
Uma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue)
Articles: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7

Articles

A Johannes Vermeer
2012-01-07 11:38:00
Pintas apenas formas sob vários espaços:a moça de turbante azul, cenas, paisagens.Fazes, Johannes Vermeer, a claridade, o solde tua vida obscura entre as ruas de Delft.Operário da luz!- Lêdo Ivoin Poesia Completa, Braskem
Luis Alberto de Cuenca (traduções - parte II)
2012-01-06 16:08:00
Um amor impossívelEncontrei-te na rua e,depois, jantámos juntos.Disse-te outra vez:a minha vida quer ser aquilo a que Bowra (i) chamava«the pursuit of honour through risk».E o teu sorriso transforma-senuma careta obscena,e continuas sem saber o que é o pudor.Antes da meia-noitejá estavas morta, meu amor.A chamadaA noite tinha sido demasiado longa e demasiado escura.Queria ouvir a tua voz. Que as tuas doces palavrasme trouxessem alguma paz. Que o carinhoque sentias por mim viajasse pelo telefoneem direcção ao meu coração ferido e derrotado.Queria ouvir a tua voz e atendeu-me o teu amante.De vez em quandoJá morreste há demasiados anos,Mas de vez em quando regressas. Fecho os olhosE voltam os dias em que viajámos juntosa bordo do barco do amor, no tempoem que éramos tu e eu os únicos habitantesdo mundo e as ondas rebentavam na praiacom o doce gemido de prazer e o mar eraum lago imenso e morno que nos pertencia.Hammurabi (ii)As miúdas como tu riem-se nas barbasDos mesmíssimo Hammurabi ....
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Luis Alberto de Cuenca (traduções - parte I)
2012-01-06 16:04:00
O regressoVenho de desertar em Bouvines (i) ou de combater em Midway (ii),venho da vitória ou da cobardia.Não sei se estou à procura de um corpo ou se é de um amigo que preciso,se venho para fomentar um duelo ou se venho para evitá-lo.Podes receber-me nos teus braços ou não me reconhecer.No que me rodeia, tudo é sombra ou um perfil demasiado concreto.Vim para te matar ou morrer às tuas mãos.DedicatóriaA terra estava seca.Não havia rios nem fontes.E jorrou dos teus olhoságua, toda a água.RomeuRegressa o pesadelo do amor. Reconheçoo seu velho semblante desdentado. Regressamos ácidos nocturnos, a sede e essa fragrânciaque o tempo não consegue desterrar de minhas mãos.Mais uma vez sou a vítima que aguarda o sacrifícioque nunca vai chegar. A espera eterna.Regressam a raiva inútil, os mastins do ódioe estes muros de cal nos meus olhos dourados.AgredidaBeba isto. Ponha um vestido.Lamento não ter chegado a tempo,Pode tomar um banho mais tarde. Agora vamos sair.Não toque no rosto. Não façape...
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Homeland (1ª temporada / 2011)
2012-01-03 16:20:00
8/10
Descoberta Do Inefável
2012-01-02 04:43:00
A LêdaSem o sublime, que é o poeta? Sem o inefável,como pode louvar, não traindo a si mesmo,a plena e estranha juventude da moça a quem ama?Que é o poeta, que imita as marés,sem adquirir com o tempo uma serenidade de coisa sempre nuacomo se as estrelas estivessem caminhando governadas pelo seu risoe seus braços agitassem as árvores feridas pelo clarão da lua?Sem que seu canto suba até os céus, sufocante música da terra,que é o poeta?Libertado estou quando canto. E queroque minha respiração oriente a vontade das nuvense meu pensamento de amor se misture ao horizonte.Cantando, quero outubro, gosto de lágrima, salsugem,no instante anterior ao despertar, folha voando.Sem o inefável, que dura sempre, sem permanecer,como conseguirei louvar essa moça a quem amoe que nasce em minha lembrança plena como a noitee triunfante como uma rosa que durasse eternamentee não se limitasse à glória de um dia?Sem o inefável, que valoriza as mãos e faz o Amor voar,não poderei descer de repenteao inferno d...
A garrafa
2012-01-01 04:07:00
A garrafa guarda a brumada maior noite do mundomas o vulto de meu paiestá imóvel nas brumassem canção de desespero.Da garrafa sai um rioque banharia Parisse todos nós nos erguêssemosem torres de fá maior.Meu pai imóvel nas brumasnas brumas sem desesperodomina os arranha-céusfecha a álgebra da noiteesvaziando a garrafade um líquido inexistenteonde dormem tentações:uma estação, um piano,uma flor de botoeira,algumas bibliotecassem La Chartreuse de Parmee o sono, doçura intacta.Entornando essa garrafasobre a minha vida tristefico eternamente bêbedocanto nos cais, nos desertos,aspiro hálitos do céue vou pela vida ao léuquase lúcido de bêbedo!- Lêdo Ivoin Poesia Completa, Braskem
Eruditos no Campus
2011-12-31 04:28:00
São quantos são.Aprazíveis, pacientes, divagandoem pequenos rebanhospelo recinto ajardinado,_________________olhem-nos.Ou melhor, escutem-nos:mugem difusas ciências,comem folhas de Plínioe de alface,devoram hambúrgueres,textos gregos,diminutos testículos em sânscrito,________________________e depoisfertilizam a terracom detritos clássicos:________________alma mater.Arrotam-se,um erudito dictumperfuma o campus de sabedoria.Se, silentes, meditam,rápidos, indecifráveis silogismos,iluminando um universo puro,deixam fatigados os neurónios.Buscam? de olhar perdido no futuro ?resposta para os enigmaseternos:Que salário estarei a ganhar dentro de um ano?Hoje é quinta-feira?______________Quantoainda levará toda esta neve a derreter?- Ángel Gonzálezin 101+19=120 poemas, Visor[Com a tradução deste poema celebramos, neste fim de ano, o inestimável contributo daqueles que, descalçando-se na Academia, não resistem a chutar as sandálias (cheirosas, diga-se) para o espaço da Poesia.]
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The Rum Diary (2011)
2011-12-31 04:05:00
8/10
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Há três momentos difíceis, e um quarto
2011-12-30 20:00:00
Há três momentos difíceis na vida de um homem,a saber:quando nasce,e quando perde o uso dos entes queridos.Depois o tempo passa,e entra-se no esquecimento,e é já como se nada,como se quase nada,sentimo-nos a viver num lugar estranho.O quarto é-nos familiar;infelizmente tudo o que tem são móveis.- Ángel Gonzálezin 101+19=120 poemas, Visor
Iludidos os Ulisses
2011-12-30 19:46:00
Sempre, após uma viagem,um teimoso olhar se aferra ao que busca,e é uma sombra oca, uma luz pavorosa,tudo o que encontram os olhos de quem regressa.Fidelidade, afã inútil.Quem teve a arrogância de o tentar?Ninguém foi capaz? nem sequer os que morreram ?de destecer a tramaurdida pelos dias.- Ángel Gonzálezin 101+19=120 poemas, Visor
Filmes do ano
2011-12-30 18:44:00
The Tree of Life, de Terrence Malick Beginners, de Mike Mills Drive, de Nicolas Winding Refn Pina, Wim Wenders Melancholia, de Lars von Trier 50/50, de Jonathan Levine Midnight in Paris, Woody Allen-
Death Snips Proud Men
2011-12-29 16:34:00
DEATH is stronger than all the governments because the governments are men and men die and then death laughs: Now you see ?em, now you don?t.Death is stronger than all proud men and so death snips proud men on the nose, throws a pair of dice and says: Read ?em and weep.Death sends a radiogram every day: When I want you I?ll drop in?and then one day he comes with a master-key and lets himself in and says: We?ll go now.Death is a nurse mother with big arms: ?Twon?t hurt you at all; it?s your time now; you just need a long sleep, child; what have you had anyhow better than sleep?- Carl Sandburg(retirado daqui)
ANIMA, de José Manuel Teixeira da Silva
2011-12-29 14:32:00
Em As Súbitas Permanências, segundo livro de poemas editado por José Manuel Teixeira da Silva , o poeta viaja por espaços mais ou menos definidos, em que as cidades são captadas pela sua visão, os monumentos também, as imagens sempre. Permitam-nos citar a voz autorizada do poeta no poema ?Ilha de Malta, o Tempo? incluído nessa publicação: ?A frivolidade imensa das viagens/disso se faz o trânsito e a vida?. E é a vidas em trânsito que o poeta de Anima vai beber os motivos poéticos que hoje nos chamaram a este lugar, de novo enveredando por uma viagem, como se de um migrante se tratasse. Só que, desta vez, o poeta viaja dentro de um espaço-casa que se faz mundo a cada palavra escrita, a cada imagem desvelada. A escrita precipita-se sobre o papel, tal qual a ?cesura das coisas? e a ?dor? reveladas se aceleram, numa voragem de tempos dolorosos, vividos em ?cozinhas negras?, espaços onde aconteciam vidas, as das ?batatas?, as das ?borboletas? , as das ?raparigas?. É certo que...
O poeta ezra pound desce aos infernos
2011-12-29 01:00:00
O poeta ezra pound desce aos infernosnão para o limbodos que jamais foram vivosnem mesmopara o purgatório dos que esperammas para o infernodos que perseveram no erroapesar de alguma contriçãotardia e da silente senectude- diretamente com retitude -o velho ezjá fantasma de si mesmoe em tanta danaçãoquanto fulgor de paraíso- Haroldo de Campos(retirado daqui)
Denominação de origem: Extrangeiro
2011-12-28 22:55:00
A pátria é estar longe da pátria:uma nostalgia da infância em noitesem que te sentes velho, uma nostalgiaque sobe à tua garganta como o agresabor do vinho nas ressacas mais duras.A pátria é um estado: mas de ânimo.Uma estufa de antigas paixões.A pátria é a família: esse lugarem que aos domingos há paella.Uma pátria é a língua em que sonhas.E o pátio do colégio onde um diadebaixo da lâmina de um céu escurodecidiste escapulir-te pela primeira vez.A minha pátria está no corpo da Patrícia:o meu hino é o seu gemido, a minha bandeiraa sua nudez de doce da noiteàs oito da manhã. A seguir ao duche,a minha pátria vai pró trabalho, eu exilo-me.- Juan Bonillain 10 menos 30, Pre-Textos
Fumar em Saraievo
2011-12-28 21:59:00
Com cinco maços de Marlboropodes sussurrar obscenidadesa uma garota comprazidasobre quem derramarás um filhoque não conhecerá o teu nome.Com três consegues uma latade carne com um selo da O.N.U.mas sem prazo de validade.A fome é um alucinogénio baratoque converte gatos em vitela.Um cigarro chega para se entrarno Obala, o único cinemaque ainda funciona em Saraievo.Agora projectam uma do Woody Allen.Já sabes, os problemas quotidianosde uns burgueses que se procurama si mesmos no imenso caos urbanoe as perguntas sem resposta:de onde venho? aonde vou?pode viver-se bem só com um salário?é pecado roer as unhas durante o Jejum?- Juan Bonillain 10 menos 30, Pre-Textos
Cordura de Deus que arrancas o pecado do mundo
2011-12-28 21:02:00
Pai nosso que estás em parteincerta, livra-nos de Ti.Não nos enchas o tempo com a tua ausência.Tu utilizaste o fogo do infernopara acender o sol da nossa infância.Não nos dês a certeza dos teus olhosquando os nossos não possam jáolhar a rosa negra da vida.Oh cordura de Deus que tiraso pecado do mundo,despende a tua piedade com os covardes,os que te encontram em qualquer fenómenode meteorologia, os que impõemo teu Nome em leis e orações.Conforma-te com seres um hóspededa nossa infância desfeita em mil pedaços.Esvazia-nos de Ti,regressa às tuas origens,àquela imensa noite de tormentaem que o medo de alguns imbecis te inventou.- Juan Bonillain 10 menos 30, Pre-Textos
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Saldos do Ano Acabado
2011-12-28 16:25:00
De entre as manifestações recitadas, e não foram poucas, que no ano passado surgiram destinadas a fazer conhecer poetas, ou novos poetas, só a uma me foi dado assistir: avisado a tempo por voz amiga de que ia dar-se não sei que provocação na sala ? o salão da Sociedade Nacional de Belas Artes ? não pude deixar de ir, para o caso se ser preciso observar. Para conforto e sossego de todos, tal não chegou a acontecer. Iniciada a sessão, cujo projecto de base era porem-se os poetas que vivem em Lisboa, e alguns de fora, a dizer os poemas próprios para regalo de pública assistência ? projecto que logo falhou porque alguns resistiram, não foram, outros, como o autor destas linhas, foram mas não quiseram ? iniciada a sessão, e depois de bem enxovalhado o poeta Almada Negreiros, que a abrira, esta caiu no normal e vulgar assassinato amador de poesia que é regra no nosso tempo, nos nossos salões, e entre o nosso público, por mais que uma ou duas consciências mais avisadas se misturem às organ...
história de cão
2011-12-28 12:40:00
eu tinha um velho tormentoeu tinha um sorriso tristeeu tinha um pressentimentotu tinhas os olhos purosos teus olhos rasos de águacomo dois mundos futurosentre parada e paradahavia um cão de permeiono meio ficava a estradadepois tudo se abarcoufomos iguais um momentoesse momento parouainda existe a extensa praiae a grande casa amarelaaonde a rua desmaiaentão ainda a noite e o arda mesma maneira aquelacom que te viam passare os carreiros sem fundoazul e branca janelaonde pusemos o mundoo cão atesta esta históriasentado no meio da estradamas de nós não há memóriados lados não ficou nada- Mário Cesarinyin Uma grande razão, Assírio & Alvim
Pedra negra sobre uma pedra branca
2011-12-28 01:49:00
Morrerei em Paris com aguaceiros,num dia do qual já tenho a lembrança.Morrerei em Paris ? daqui não saio ?numa quinta-feira, como hoje, de outono.Quinta-feira será, pois hoje, quinta-feira,em que estes versos proso, dei os úmerosà pouca sorte, e nunca como hojevoltei, com todo o meu caminho, a ver-me só.Morreu César Vallejo, espancavam-notodos sem que lhes fizesse nada;davam-lhe forte com um pau e fortecom uma corda também; são testemunhosas quintas-feiras e os ossos úmeros,a solidão, os caminhos, a chuva...- César Vallejo(tradução de José Bento)in Antologia Poética, Relógio d'Água
Pessoas
2011-12-27 16:12:00
Às vezes as pessoassalvam-nos de outras pessoasresgatam-nos do fedor da sua carne putrefactaarrancam-nos aos braços do rancorrecordam-nos por que estamos neste mundoemprestam-nos o coração sem juros a fundo perdidoerguem-nos do chão ou descem-nos de novo à terrae seu calor protege-nos dos gelosque nos aparecem em casa se estamos sós.São pessoas apenas e parecidascom as outras pessoas, estão aísão a solução do mundo.- Lucas Rodríguez(tradução de A.M.)
Os Arautos Negros
2011-12-26 15:14:00
Há pancadas tão fortes na vida... Eu sei lá!Pancadas como do ódio de Deus; como se sob elasa ressaca de todo o sofrimentoestagnasse na alma... Eu sei lá!Poucas; mas acontecem... Abrem leivas escurasno rosto mais duro e no dorso mais forte.Serão talvez os potros de átilas selvagens;ou os arautos negros que nos envia a Morte.São as profundas quedas dos Cristos da nossa alma,de uma fé adorável que o Destino blasfema.Tais pancadas sangrentas são as crepitaçõesde um pão que na porta do forno se nos queima.E o homem... Pobre... Pobre! Volta os olhos, comoquando sobre o seu ombro uma palmada o vem chamar;volta seus olhos loucos, e todo o já vividocomo um charco de culpa estagna em seu olhar.Há pancadas na vida tão fortes... Eu sei lá!- César Vallejo(tradução de José Bento)in Antologia Poética, Relógio d'Água
A canção do suicida
2011-12-25 13:35:00
Só mais um momento.Que voltem sempre a cortar-mea corda.Há pouco estava tão preparadoe havia já um pouco de eternidadenas minhas entranhas.Estendem-me a colher,esta colher de vida.Não, quero e já não quero,deixem-me vomitar sobre mim.Sei que a vida é boae que o mundo é uma taça cheia,mas a mim não me chega ao sangue,a mim só me sobe à cabeça.Aos outros alimenta-os, a mim põe-me doente;compreendei que há quem a despreze.Durante pelo menos mil anospreciso agora fazer dieta.- Rainer Maria Rilke(tradução de Maria João Costa Pereira)in O Livro das Imagens, Relógio d'Água
O jogo em que andamos
2011-12-24 19:54:00
Se me dessem a escolher, escolheriaesta saúde de saber que estamos doentes,esta felicidade de andarmos tão infelizes.Se me dessem a escolher, escolheriaesta inocência de não ser um inocente,esta pureza em que passo por impuro.Se me dessem a escolher, escolheriaeste amor com que odeio,esta esperança que come pães desesperados.Aqui acontece, senhores,que jogo com a morte.- Juan Gelman(versão de Luís Filipe Parrado)
António Gregório, Criatura 6
2011-12-23 19:03:00
[post retirado daqui]«MATRIOSCASNasciam umas das outras parecidíssimascomo matrioscas uma crescendo apenaspara que a seguinte lhe coubesse dentro eo ciclo se perpetuasse regularesamantes de indistintos colectores decartão usado donos de motorizadassebosas e ladrões mal sucedidos deelectrodomésticos amiúde presosque os entretanto soltos revezavam entreas pernas delas: um qualquer numa qualquer. » 1há alguma coisa de paradoxal na revista Criatura. a elementaridade de meios e de processos torna surpreendente a eficácia do resultado. é aqui manifesto que o que funda um projecto literário colectivo é a existência de critérios. opções assumidas, conduzidas com a intransigência possível. no estado de rarefacção do meio editorial, um projecto como este é valioso. valioso, mesmo se aqui ou além o critério editorial talvez pudesse ser um pouco mais apertado.neste número, há vários motivos de leitura. o regresso de António Gregório é claramente um deles. com uma escrita mais contida e imediata...
O céu visto de cima
2011-12-22 12:59:00
Tu já estavas prometido à tristezada cidade mais pequena. Mas a noitetinha passagens secretas, bastava seguiros sinais.Uma sombra avançava muito fundonos teus estratos, tacteavas um territóriode pedras difíceis, às vezes perigosas.Depois imergias e a boca estava amargaoutra vez, a roupa amontoada na cadeiracomo o princípio de um poema indesejado.Reflectido nos teus olhos, o céuera um lugar inabitável.- Rui Pires Cabralin A Super-Realidade, Língua Morta
Feira de Edições
2011-12-21 16:02:00
O último da Língua Morta, juntamente com o restante catálogo, estará entre as edições da Averno, Letra Livre, Oficina do Cego e Tea For One. Livros novos e manuseados, com descontos amanhã, a partir das 22 horas, no Bartleby.
Mais magro
2011-12-20 16:01:00
Mais magroMeu amigo está mais magroVolto a encontrá-lodois ou três verões mais tardee chego mesmo a dizê-lo:Você está mais magro.Problemas de intestino?responde-me esquivo?já estive pior, agoravoltei a engordarNão peço detalhesmas vejo o ombro mirradoentre as alças da regataEvito tocá-lopois a mera proximidade físicaparece estranha agoraque meu amigo está mais magroNovamente juntoscaminhamos pela orla marítimaEu lhe recito algum versoele me ensina outro insultoe há quase alegria de tréguanão fosse o fatodele estar mais magroSe ainda ontem tocassemos telefones insonesna barra da madrugadae meu amigo dissessepalavras de testamentoeu sairia correndopara deitar-lhe compressasna testa já repartidaSe fosse eu o afogadodentro da onda invisívelde bílis, lua e silêncioele pagava o resgatelimpava o sal de meus cíliosme devolvia em segredosobre a toalha mais limpaMas hoje estamos exaustoshá um dreno em nossa bondade:minha boca só tem dentese meu amigoestá mais magro- Fabio Weintraubin Novo end...
Contrabando
2011-12-20 14:05:00
para Sérgio GalloHá ciência em dividir camacom uma mulher grávidaNos abraçamos de ladoela me rouba costelase vira um barcoque eu reboco com medoComo saber a latitude exatade quem navega e dormedar nome à suave tripulação?A alfândega cobra multapor excesso de pesoOs papéis estão em ordemMeu contrabando é inocenteNum porto bem próximoalguém agita um lençoem nossa direção- Fabio Weintraubin Novo endereço, Nankin
Pai
2011-12-20 10:39:00
Desempregado há três anosno país do futuroBatendo perna nas ruascom o mostruário de meiasAdivinhandoo signo da morenao ascendente da loiraJogando xadrezassobiando um sambacolecionando borboletasdescobrindo a fórmula exatada tinta para balão(tinta que não rachasobre a pele inflável)Contra as determinações médicasfilando cigarrofazendo piada com a pernaque pode ser amputadalouvando as próteses modernasdizendo que morre antes dissoque não vai dar trabalhoque some de casavai pro asiloMeu pai de novo ao volanteguiando o negro LandauO velho e bom batmóvelrodando sem freio ou cintoo vento de Gotham no rostominha cabeça no banco de couroMeu pai cantando altolimpo e bonito como só elenuma estrada clarasem pedágio ou limitede felicidade- Fabio Weintraubin Novo endereço, Nankin
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