O Melhor AmigoO Melhor AmigoUma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue) Articles
Rebeca
2009-07-15 14:36:00 Já não vai buscar a bola,defendê-la entre o cetim dos dentesou fugir como quem procura,enquanto me obrigavaà altura baixa que deixou de ter,na alcatifa de que foi princesae eu agradecido súbdito.Já não ? sempre já não ?os dias que quase vivemos,prometidos à extinção, avessosà rima inútil de um sorriso.Tenho os dedos secos, sossegadoo colo onde depunha sem favor a cauda.Yorkshire Terrier, seis anos, morta.Nunca a incomodou queeu cheirasse ? e muito ? a gato.Seguia a bola, indiferenteao pavor de haver mundo, corposinertes, cadáveres que gostaram dela.E de quem gostou, pois um animalnão mente: existe como não sabemos,na mais curta distância, numa rendidaproximidade que subitamente termina.Foste poupada ao cálculo, à usura? mas nem por isso à dor,pequena distracção de Deus.A bola chegou ao fim do corredore ninguém ma trouxe, desta vez.Vencer essa dor é encontrar mais dor,chamar por um nome que não existe.A não ser que conheças Lázaro (masLázaro, receio, é nome que não se dá a uma cão)e ...
Brainy
2009-07-15 11:42:00 I?ve been draggin around from the end of your coat for two weekseverywhere you go is swirlin, everything you say has water under itYou know I keep your fingerprints in a pink folder in the middle of my tableyou?re the tall kingdom I surroundthink I better follow you aroundYou might need me more than you think you willcome home in the car you love, brainy brainy brainyI?ve been draggin around from the end of your coat for two weeksyou keep changing you?re fancy fancy mind every time I decide to let goI was up all night again, boning up and reading the American dictionaryyou?ll never believe me what I foundthink I better follow you aroundYou might need me more than you think you willcome home in the car you love, brainy brainy brainy
Kalashnikov
2009-07-15 11:30:00 (uma metralhadora AK-47, provavelmente a arma ligeira mais produzida da história)Criada por Mikhail Kalashnikov que, se fosse vivo,hoje teria setenta e três anos,mas tãoconhecido na sua terra Russacomo Marina Tsvetayeva, Anna Akhamatova,ou Ossip Mandelstam? Os Russos amamos seus poetas. Eu não seio que eles sentem por Kalashnikov,mas ele é ou foi mais próspero doque alguma vez foram os poetas acima mencionadose espalhou milhões de homónimospor todo o lado: lê um livroonde se fale de pessoas a matar pessoas - revolucionários,sejam sérios e sinceros,ou meros bandidos: Kalashnikoves - todos têm uma.Há sempre um movimento de guerrilhaalgures: uma Kalashnikov. Assassinos,peões de senhores da guerra, contrabandistas, piratas,ladrões: Kalashnikoves, calibre7.62 x 39, 600 tirospor minuto, um potencial de 10 cadáverespor segundo.Kalashnikov - não é uma dança,ou uma trupe de prestigitadores divertidos,ou uma marca de vodka,e se responderes que é uma pequena cidade (49.000 habitantes)no sul da...
Dois poemas para ti
2009-07-14 22:52:00 INão me esqueço das manhãsem que me vinhas com sonhos inteirosnas mãos, descrevias um rapazbelíssimo e eu não dizia nada.Sabia que chegando a noiteacabarias por te contentar comigo.IIEsta manhã caminhei sem ondee encontrei uma memóriaperturbada por uma flor, tão simplesque me doeu nas veias.Um susto subindo pelo sanguepara rebentar-me o coração. More About: Para
Imagens
2009-07-14 22:02:00 Distingo ruínas: horizontemarítimo e aproximadode pedras e palmeiras ? remoçadoidílico jardim verde-azulado.Na sombra, mas com fundo recortado,um forte destruído pela intempérie,pelo abandono do que já não serve,tempo gasto.Distingo ruínas: uma capelaserva dos donos que a destelharam,onde jazem pedras, onde crescem ervas,onde o culto se funde memóriados tempos idos que ninguém difere,senão o que passa preso à bocados familiares que a religaram.Capela, um ar sereno, ilha:arquitectura perene do espírito.Distingo ruínas: só de casasque ainda servem aos a quem nada cabedos frutos da terra e coabitamremanescentes ao dia habitadopela relação que os une e pela desditaque não abjura presente, passado.São de antigos escravos essas casas,hoje libertos, donos d'ar e timbre.- Ruy Cinatti
Heroína
2009-07-14 12:37:00 Diz-me quantas doses consumiste a semana passada. Quanto tempo demorou o efeito a passar. Diz-me que estamos errados, que o tempo da agulha a penetrar a pele até alcançar a julgular é menor que o tempo que demora a paixão a passar. Conta-me quantas vezes rodaste a seringa para te dares conta que a quiseste tanto como a morte. Fala-me da solidão. Aquela dos homens a quem vamos chamando de amigos, os dispostos a pagar-nos mais uma bebida no bar. Os que nos vendem mais umas gramas. Gramas de silêncio.Estou à tua espera. À porta da casa de banho deste enorme bar chamado Vida. Preciso de ir mijar, logo agora quando já tinhas decidido entornar a cabeça contra a retrete. Suja de sarjeta, da merda dos outros e da tua própria agonia. Deixa-me entrar. Não posso esperar-te deste lado, pois o corpo vive cansado de dançar a mesma música e os meus olhos não me deixam verter mais tristeza. Não morras. Preciso de mijar no mesmo sítio em que o teu braço poisa, já preparado para receber mil orgasmos.... More About: Reyes
Últimas notícias
2009-07-14 02:20:00 Caminhámos sós na rude arena.Bancos partidos, sol obliquado,papéis ao vento, poeira fina,ruínas que se enredam como tredossonhos acordados.Ele, entre todos, surgiu.Lançou a vista em volta: vazio.Muros ignotos: vazio.Um rio oculto que inunda a cidade.Perigo eminente.Pobres pedindo esmola a uma esquina.Alguém atrasado, como sempreaverso e diletante.Ele, entre tantos, surgiu.Cedo.Encostou-se ao muro habituado,abriu o jornale leu. - Ruy Cinatti
Propósito inadiável
2009-07-13 23:58:00 O que magoa é ver o pobretimorense esquálido beberágua do pântano,onde se escoam lixos,comer poeirae saudar-me quandorodo na estrada,deus ocioso.Tantos e tantos outros,timorenses esquálidos,olham-se como se dever fosseabrir covas,plantar repastode milho, arroz e carne,encher copos vazios,de bebedeira e sonho,que não magoes,mortifique o ócio,reanime o tempo.Fugir é melhor que prometeresperança em melhores dias.Fugir é atrasaro discurso limitetravado pelas rodasda dúvida maníaca.Eu não prometo nada.Invoco os montesferidos pela luz,o mar que me circundaem Díli terra-tédio e de má gente.Afino-me pelo timbrelimpo das almasdos timorenses esquálidosque me soletram vivo.E sigo,limpo na alma e no rosto,sujeito à condição que me redime.Os Timorenses só terão razãoquando me matarem.- Ruy Cinatti
O efeito nocivo do alcóol (e das pessoas)
2009-07-13 19:45:00 Quando bebo,Se beber as mulheres e homens,Escrevo umas palavras.Quando bebo,Se beber como tenho bebido,Escrevo as pausasDas palavras num poema. More About: Reyes
Algures na beira
2009-07-13 02:57:00 A paz das aldeias entre montanhas...Casas agranitadas, telhados de ardósia,ruas de terra e de pedra solta,videiras alçadas em árvores de limo...Passear por estes campos à beira das coisasé um supremo bem que não se alcançasenão a caminho do nosso destino.- Ruy Cinatti
Poema de amor
2009-07-13 02:54:00 Os segredos de amor têm profundezas difíceis de alcançar,tal como a chuva que hoje cai e nos molha na calçada a face,nós olhando triste uma saudade imensanum corpo de mulher metamorfoseada.Sou demasiado são para me esquecerdo tempo apaixonado que vivi nos teus braçose bebo no teu um coração meuadormecido no mar do meu cansaçoou no rio das minhas secas lágrimas.Tardará muito, se é que as horas contam,ver-te, de novo, perto de mim, longe,mas eu espero, sou paciente e, no meu canhenho, aponto,um dia a menos, o da tua chegada.E assim me fico, rente ao horizonte,abrigado da chuva numa cabine telefónica,e ligo para ti ? que numero? ? ninguém respondedo oceano que avança e retrai colinas,o vulto de um navio, tu na amuradaacenando um lenço, ó minha pomba branca!...Como se tempestade houvesse e um naufrágio de chuva? as vidraças escorrem, as árvores liquefazem-se? ?escurecendo os teus cabelos,ou, se preferes, a minha boca nelescarregada de ilhas, de nocturnos perfumesque ateiam lumes, ó minh... More About: Amor
Momento num café
2009-07-13 02:51:00 As mãos lindas que vi deixam-me absorto:compridos dedos, polegares de espátula,um dedilhar de flores em jardins ociosos,só comparável a conversa amenade duas mulheres simples debruçadassobre o tampo liso de uma mesa.A riqueza da vida reside nisto:um leve toque no ombro do próximo?uma cortina de chuva vedando a verdade,olhos indiferentes, indiscretos?e um ar de encanto, um fácil soluçoouvido longe, como que em segredo.- Ruy Cinatti
Échale a él la culpa
2009-07-10 20:26:00 A José María Álvarez y Carmen MaríHoy te has ido de fiesta con amigas,y sin que tú lo sepas me regalasun tiempo de estar solo que ya empiezaa ser raro en mi vida, un tiempo útilpara intentar pensar en ti como si fueraslo que siempre debiste seguir siendocuando pensaba en ti: aquella persona,en todo semejante a cualquier otra,que una noche lejana tuvo el gestogeneroso y extraño de entregarme su amor.Pero el amor nos cambia, nos convierte en espíasridículos del otro, en implacables juecesque condenan sin pruebas y compartemsus estúpidas penas com el reo.El amor nos confunde y trata ahorade que vea en tu fiesta una traicíon.Por huir de esa trampa me amenazocon los nombres que cuadran al que en ella se enreda:egoísta, ridículo, inseguro, celoso...Y como un ejercicio de humildad pienso en tidivirtiéndote sola: te imagino bailandoy mirando a otros hombres;al calor del alcoholconfiesas a una amiga algunas cosasque te irritan de mí sin que yo lo sospeche,y por unos instantes saboreasuna vid...
Anthony Lane
2009-07-10 16:19:00 É nestas críticas a filmes terríveis que dá para ver como um crítico pode ser fantástico:http://www.newyorker.com/arts/ critics/cinema/2009/07/20/090720crci_cine ma_lane More About: Lane , Anthony
A mosca do serviço de urgência
2009-07-10 09:57:00 A velha está sentada na sala de espera.Chegou amparada pela filha, que a depositou alienquanto trata dos papéis. A afliçãodeve ter sido tão súbita e imperiosa,que a velha vem descomposta,não houve tempo para atender a pudores.Perdeu algures um chinelo.Está sentada, muito branca, e parecemascar as dores com as gengivas nuas.Tem a morte pousada na cara, sob a formade uma mosca insistente e de ar atarefado.Não tem forças para a sacudir.A mosca aproxima-se da boca, depois pareceinteressar-se pelo nariz. Delicia-secom o muco ao canto do olho, como a criançaque come a ocultas um gelado interdito.É como se estivesse em casa e percorresseos aposentos ao sabor dos afazeres.Cansada do rosto, levanta vooe vai pousar, desta feita, numa mão.Mas breve volta atrás, como se se tivesseesquecido ali de alguma coisa,e demora-se um pouco a tentar lembrar o quê.Esfrega uma na outra as patas dianteiras,celebrando a vitória que logo virá.A velha já nem se dá contadesse penúltimo escárnio da morte.Está vis... More About: Mosca
Ocorrências
2009-07-09 19:06:00 Dias,Não te preocupes com as horasPois o sol é certo que se levante,É certo que morra.Noites,Não te preocupes com as luzes,Pois as estrelas e os satélitesDemoram milhares a falecer.Sol,Não te preocupes com o frio,Pois ele é tão certoQuanto a Lua.Frio,Não te preocupes com os mortos,Pois eles são certos como tempo,E pontuais como as horas. More About: Reyes
More than rain
2009-07-09 07:21:00 Quantas vezes sonhei com um suspirocomo uma morte doce.Vicente AleixandreDeixei um suspiro saltando entre telhadose o trauteio num fim de tarde, em Julho,com pássaros poucos metros abaixoda janela, a chávena de café e umas folhassoltas sobre o parapeito, sensíveis ao acreolor de um domingo com alguma vontadede chover.Lavei a cara com sabão, deixei estara camisa de flanela no seu jeito sujode abrir para o peito (um desmazelo jáde semanas seguidas). Ela deu por issoe não disse nada. Deixou-me o secadorde cabelo na mão e fez sinal para quea ajudasse com o fecho do vestido.Tudo muito assim, diluído na forçalinear das coisas e gestos. Quando saímosa noite já engrossava, chegando-sea nós e à ocasião que tínhamospara comemorar. Enquanto jantávamosum piano foi gozando connosco,notas remissas e indecisas pingandonum jazz sem muita vontade, mas queenfim levantou a doçura enrouquecidade uma voz que pudemos beber.Ardíamos algures, talvezde alcoólica ternura, isso e o desasadocalão que nos confu... More About: Rain
A noite no dia
2009-07-09 04:17:00 A noite nunca quer acabar e entregar-seà luz. Por isso emaranha-se em certas coisas: obsidiana, corvos.Até no solstício do Verão, o dia do grande triunfoda luz, quando os campos de girassóis se empanturram ao sol -abrimos a melancia e cuspimos as sementesnegras, partículas da noite cintilando na erva.- Joseph Stroud(tradução de LP)
Nunca o alemão me soou tão bonito
2009-07-08 19:41:00 Lied Vom Kindsein Als das Kind Kind war, ging es mit hängenden Armen, wollte der Bach sei ein Fluß, der Fluß sei ein Strom, und diese Pfütze das Meer. Als das Kind Kind war, wußte es nicht, daß es Kind war, alles war ihm beseelt, und alle Seelen waren eins. Als das Kind Kind war, hatte es von nichts eine Meinung, hatte keine Gewohnheit, saß oft im Schneidersitz, lief aus dem Stand, hatte einen Wirbel im Haar und machte kein Gesicht beim fotografieren. Als das Kind Kind war, war es die Zeit der folgenden Fragen: Warum bin ich ich und warum nicht du? Warum bin ich hier und warum nicht dort? Wann begann die Zeit und wo endet der Raum? Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum? Ist was ich sehe und höre und rieche nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt? Gibt e...
Não me
2009-07-08 00:44:00 Não me olhes.Hoje dormi fora de casa,Fiz sexo,vesti a roupa de ontemE Adormeci sem querer tomar banho.Não me beijes.Hoje dormi fora de casa,Comi bolachas,Bebi a mais na noite passadaE ainda não lavei os dentes.Não me toques.Hoje dormi fora de casa,Na rua,Tenho a pele esfoladaE as feridas ainda sangram.Não me ames.Ontem dormi fora de casa,Fiz sexo,Bebi a mais,E ainda deixei que o outro me magoasse. More About: Reyes
Café
2009-07-07 20:32:00 Quando,à hora do Jazz,a minha cabeça rolapelo tecto pintado do café,a parede em frente é uma visão de escolaonde um menino de bibe e golasonha com aquilo que não é.E até os criadostêm ares purificadoscomo ascetas dum branco ritual.E os mármores das mesas,com desenhos obscenos,surdinam vagas rezas...E as garrafas dos álcoois e absintos,em garbos áticos,oferendam viáticos...E há toalhas brancas e há velas acesas!E ela vem sempre(só a cabeça dela,que o corpoperdeu-o, porventura,nalgum escuro quarto de aluguer).Ela vem sempre,como naquele dia,serena e amavia,única e excepcional.O pianistacomeu os dentes do pianoe canta, de pernas para o ar,uma canção azul.O violinista adormeceu em pé numa cadeirae o violino dá som sem ninguém lhe tocar.E ela vem semprecomo naquela horaestranha, delicadae debruada a encanto.Pura como a água, suave como um manto.O dia é Dia Santo...- Saul Dias
Outro castelo
2009-07-07 20:30:00 A melhor parte da minha juventudeentreguei-a à imatura ambiçãoda arqueologia, aos dias passadosna serra entre ruínas crestadaspelo resplendor de Agosto.Algumas fotografias sobrevivemdessa época, mostram murosderruídos e esconsos alicercesou túmulos escavados em penedoscom uma régua de desenhopara escala: não tinha entãodo tempo ou da morteuma ideia mais própriae imediata.Ao revisitar convoscoum dos perdidos castelosdesses anos, quase me doeuque aquela beleza inteirapudesse ter persistidona sua inalterada solidão,enquanto o verde do planaltoestendia o mesmo sossegoem todas as direcções.Ali em cima, afinal,a única mudançaestava em mim -e a vossa presença,amigos feitos noutra terrae noutra idade, tornavamais exacto o sentimentode ter regressado irreconhecívela um lugar do meu passado,apenas para adivinharuma distância que não se vencee o espectro de outro casteloao qual não é possível regressar.- Rui Pires Cabral More About: Outro
Publicidade enganosa
2009-07-07 03:47:00 está certo reconheço todas as acusaçõesmenti eu sei sabia desde o princípiotodos o fazemos é a maneira de vendero produto que queres que te diga não souquem andavas à procura sim sou um porcoum grandessíssimo cabrão um filho da puta... mas diz-meque tem tudo isso a ver com o amor?- Pablo García Casado
28
2009-07-06 15:27:00 há um deus na noite excessiva dos teus cabelossilencioso furtivo ágil forterespira por entre a luz frágil que a penumbradetém em pequenos círculosadornando o teu rostodele retiro a expressão insondável do mármoreque sucessivos incêndios não consomemdele também a forma como caminhasem sucessivas vagas para alémdo cristal das marésele pousa a mão direita nos teus ombrosensaia a sombra pertomas nunca me subtrai do corpoa raiz dessa noite profunda
Amarelo quebrado
2009-07-06 13:42:00 As casas ganham um ar mais mortalna tristeza depois de não ter havido coito.Vão depressa as nuvens, tão depressa, levam pombose telhados agudos com ardósia quebramem radiações de treva na água aprisionada.Já tínhamos falado de tudo na véspera,do adiamento, da sufocação,mas senti que não seria assim.Com a garganta ao contrário da Holanda,seca, incapaz de falar.Vi os gráficos do sangue empresarial.Na floração das vendas, o risco suspendiacâmbios de gasolina sobre mim.Ao som do telefax, um visor de númerosera agora o teu rosto.Por cima do casaco hesitavam as mãosde novo perdidas no medo de prender-seao metal tecido de milagre da saliva.Eram mãos que não sabiam pousar.A experiência agora é esta: chamar desamorà emoção que não entende o que deseja,confunde os sentimentos numa aridez tão pesadaque nem eu percebo como deixa voar um aviãopor este sem fim de céu que traz o fim.Mas foi horas antes que findou.Ia a noite avançando, escurecia o hotele as mãos ficaram presas. Tanto tempo,tanto te...
O tempo circular
2009-07-04 23:23:00 há uma fotografia de ruy beloe há também aquela praia muito ténue de "não há mortenem princípio"ou há uma fotografia do meu pai numabeira-mar de moçambiquesentado com um outro que nunca soubequem era, óculos escuros - a mocidade- esse outroo meu pai olhando o mar para lá dofotógrafo como se o fotógrafoeagoraquem vê a fotografia segurando-acom a mão vindouracomo se não existissemnão existíssemos mas que fosse minhatambémaquela praia onde ruy beloainda não usava barba e cabelos à ruy beloàallen ginsberg (gente que já morreugente vindoura)tudo gente que habitou longamenteem algum momento uma praiauma praiaque eu sei que há e que aconteceutambém quando eu morriquando eu também fui joveme poeta numa fotografia ou num reflexode garrafaa minha imagemà beira de um verão segurandodesde o peito a vida - Miguel-Manso More About: Tempo , Circular
The city of dreadful night (excerto)
2009-07-04 12:17:00 Because he seemed to walk with an intentI followed him; who, shadowlike and frail,Unswervingly though slowly onward went,Regardless, wrapt in thought as in a veil:Thus step for step with lonely sounding feetWe travelled many a long dim silent street.At length he paused: a black mass in the gloom,A tower that merged into the heavy sky;Around, the huddled stones of grave and tomb:Some old God's-acre now corruption's sty:He murmured to himself with dull despair,Here Faith died, poisoned by this charnel air.Then turning to the right went on once moreAnd travelled weary roads without suspense;And reached at last a low wall's open door,Whose villa gleamed beyond the foliage dense:He gazed, and muttered with a hard despair,Here Love died, stabbed by its own worshipped pair.Then turning to the right resumed his march,And travelled street and lanes with wondrous strength,Until on stooping through a narrow archWe stood before a squalid house at length:He gazed, and whispered with a cold de... More About: Night , City
O esquecimento
2009-07-03 20:07:00 O teu final não é como uma taça vãque é preciso esgotar. Arremessa-a fora e morre.Por isso lentamente ergues em tua mãoum brilho ou sua menção, e ardem teus dedos,como súbita neve.Está não esteve, mas esteve e cala-se.O frio queima e em teus olhos nascesua memória. Recordar é obsceno;pior: é triste. Esquecer é morrer.Dignamente morreu. A sua sombra passa.- Vicente Aleixandre
Bones (2001) ou o disparate contínuo
More articles from this author:2009-07-03 19:54:00 Preparo-me para corrigir um dos grandes defeitos desta rúbrica que, por acaso, até não é esse grande problema de eu ter sempre razão nas coisas, digamos, esquisitas que me vão encantando nos filmes. Quando acabarem de ler este texto vão continuar a pensar "Epá eu também vi este filme e o gajo aponta muito bem o dedo ao ridículo do filme" ou então "Ainda bem que nunca vi este filme porque este gajo tem mesmo ar de quem acerta sempre nas coisas que diz". Mas, finalmente, vão deixar de pensar "Este gajo ainda não falou dum filme em que a Pam Grier apareça". Aqueles que esperavam como loucos pela oportunidade de me lerem a propósito desse pote cheio de ouro na ponta do arco-íris que são alguns filmes em que entra o Rogério Samora, vão ter de esperar. Pam Grier, célebre por essa pérola de 1974 Foxy Brown e pela sua irmã geneticamente melhorada de 1997 Jackie Brown, entrou neste "filme" que hoje me ocupa. Mas antes de ir ao filme quero contar uma coisa. Ao contrário do que aconteceu com a... More About: Bones 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 |



