O Melhor AmigoO Melhor AmigoUma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue) Articles
Jenny Beckman
2011-12-02 02:40:00 Nota do autor: Aquilo que se segue é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente contigo, Jenny Beckman. Cabra.[aviso prévio em (500) Days of Summer (2009), de Marc Webb, escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber]post retirado daqui
Verão Azul
2011-12-01 23:45:00 Pedalávamos assobiando o VerãoAzul porém faltava-nos a praia e éramosmuito Pancho e muito Javi para tão poucaBeatriz; sobretudo por estes arrabaldesnenhum velho tocava acordeão apenasclarinete na filarmónica o que atéservia não fossem ter inquinado os nossosassaltos constantes ao seu pomar qualquerhipótese de afecto intergeracional.- António Gregórioin Golpe d'Asa n.º1, CLEPUL
O jardim do que não há
2011-12-01 22:27:00 como a luzque é o que éporque não cabecomo as floresque são sempreo primeiro diaou como o aro nunca vistoacordarparece-secom qualquer coisacomo os mineraisa fruta das pedraso breveessa estridênciado mesmopergunto-mede que respiraçãoserá este ventoserá porque te dissenão sei quêenquanto a euforia na florse dissimulavaa falta de temae a tardecomo semprede algum modo o balbuceiatodaviaou será que gosto de tiporque sime por outros motivosque as pedrascalame as águaslevamcrescendoque é redundantecomo as florescomo a luzque não cabiapergunto-mese alguma vezfomosessas coisas humanasirrepetíveis- Abraham Gracerain Para los años diez (7 poetas españoles), Hum
Jovens e Velhos
2011-12-01 18:55:00 Louvor aos jovens: declaram guerraA mitos, ídolos, documentos.Mas, derrubado o vaso de flores,Louvor aos velhos ? catam os fragmentos.- Phyllis McGinley(tradução de Carlos Drummond de Andrade)in Carlos Drummond de Andrade - Poesia Traduzida, CosacNaify
Nas margens do Meno
2011-12-01 18:24:00 Quando Goethe punha a mãodireita ? segurando a pena ?sobre uma página, os deusesfixavam-no, temendoque, ao escrever, porventuralhes roubasse a sua língua,na qual cada coisa tem um nomevedado aos mortais.E quando se punhaem pé, com a cabeçainclinada, as deusasdespiam-se das suas túnicase dos seus longos pendentespara que as cantasse pelos seus nomes.- Ángel Crespoin El bosque transparente, Seix Barral
Poesia pois é poesia
2011-11-30 16:33:00 REVISTA CRIATURA nº 6 ? Novembro de 2011, 216 pp., 12 euros(Tiragem Única de 300 exemplares)Direcção: Ana M. P. Antunes, David Teles Pereira e Diogo Vaz PintoImpressão e Acabamento: Guide - Artes Gráficas Lda.Autores:Ana Duarte, Ángel Mendoza, António Gregório, Clara Pinto Caldeira, David Teles Pereira, Diogo Vaz Pinto, Golgona Anghel, Inês Dias, Jaime Rocha, Jesús Jiménez Domínguez, John Mateer, José Carlos Soares, Luís Filipe Parrado, Luís Pedroso, Manuela Parreira da Silva, Nuno Ramos, Paulo Tavares, Tiago Araújo.Para já disponível apenas na POESIA INCOMPLETA- More About: Poesia
Um Fio Que Te Prende À Vida
2011-11-30 01:20:00 Rui Caeiro, Um Fio Que Te Prende À Vida , Lisboa: Língua Morta, 2011 A MÃO NO OMBRO Para o Rui Caeiro Para o David Teles Pereira e o Diogo Vaz Pinto Para todos os amigos em volta Para falar deste vigésimo livro de Rui Caeiro ? e uma das edições mais bonitas da Língua Morta ?, começaria por recordar uma passagem de Cioran no Tratado de Decomposição: ?O abismo de dois mundos incomunicáveis abre-se entre o homem que tem o sentimento da morte e o que não o tem; ambos morrem, claro; mas um ignora a sua morte, o outro conhece-a; um morre de uma só vez, o outro não pára de morrer? [?] Um vive como se fosse eterno; o outro pensa continuamente a sua eternidade e nega-a em cada pensamento.?[1] E se escolhi esta passagem é porque, em Um Fio Que Te Prende À Vida, se trata justamente desta consciência da transitoriedade, da precariedade de todas as coisas, uma das características definitórias do ser humano. Leia-se, na página...
Horizonte mortífero
2011-11-29 17:15:00 A aristocracia intelectual, como se disse no início deste texto, não é específica de um grupo, pelo contrário, faz parte do nosso não sermos subsumíveis enquanto parte de um grupo, no limite universal, como pretendia o humanismo, que, como se sabe, construía com base nisso diversos sistemas de exclusão. O facto de cooperarmos e nos reunirmos só se torna possível a partir de uma tal impossibilidade de subsunção num grupo, mesmo definido como o dos melhores, pois o homem, humano-desumano, é incomparável. Fazer de cada um uma parcela dirigível segundo as leis da economia tende a ser o programa daquilo a que hoje se chama democracia e passa pelas estratégias estatais de apropriação da arte através de mecanismos reguladores que procuram destiná-la ao que chamam recepção e que é o seu enquadramento aceitável, aquele que a retira de uma deriva improdutiva, e rasura o seu excesso através da indeferenciação do seu modo de existência e dos produtos das indústrias da cultura. Tendo as grandes...
Os amarelos de novembro
2011-11-29 12:35:00 Não tem palavras a minha canção preferida. Tem antesos amarelos queimados de novembro. Gosto de gente antiga eobscura, gente culpada, jovem ou envelhecida paraquem a vida não passa de um contínuo de sombrapor isso sei abraçar ___por isso partem sem regresso.Sombras que surpreendo ? não quebres nãoestragues o amarelo de novembro.E aquele que está sentado à nossa frente é entretodas as coisasa ideia mais perfeita, a mais real, a mais sólida.No instante seguinte nada sabemos.É assim o nosso modo de ser e a própriacondição do amor. Destruir,riscar até desaparecerem os amarelos de novembro.- João Miguel Fernandes Jorgein Lagoeiros, Relógio d'Água
O novo homem
2011-11-28 22:24:00 O novo homemé esse aísim essecano de esgotoque deixa passartudo- Tadeusz Rózewicz
Calor
2011-11-28 22:15:00 Já que faz tanto friono mundoe os homens olhamcom friezamesmoos próprios filhosnão perdes nada em teruma chávena quente de caféa aquecer-te as mãosassim que acordam elesfalam nessa pronúncia de lata e ferrugeme apitam e vaiam- Tadeusz Rózewicz
Livres da responsabilidade
2011-11-27 20:02:00 Ele aproxima-see diz-vosnão sois responsáveisnem pelo mundo nem pelo fim do mundoo peso foi levantado dos vossos ombrossois como crianças e pássaroside brincarassim eles brincamesquecem-seque poesia contemporâneasignifica lutar por um novo fôlego- Tadeusz Rózewicz
A veces, una fruta
2011-11-27 19:36:00 A veces, una frutasabe a la muerte de alguiendesconocido y, sin embargo,tan próximo a nosotrosque nos roza su aliento.O sabe a tiempo solo:a las horas que faltanpara esa muerte, sólo.- Ángel Crespoin El bosque transparente, Seix Barral
Reencontro
2011-11-26 14:11:00 É preciso sujarmo-nos de vez em quando.Só estou a dizer que é preciso sujarmo-nosde vez em quando. Falo de voltarpara as partes sujas e humanas da cidade.Falo de um caminho para o reencontro,cortes suficientemente fundos para deixaremcicatrizes permanentes. Cerveja, tabaco,amendoins, falo de todas estas coisas,sem qualquer ordem em particular.Acho que o coração ainda bate. O coraçãode um homem renascido. Com a cidadeà sua volta, orgulhosa como um castelo.- Vítor Nogueirain Modo Fácil de Copiar uma Cidade, & etc
Epílogo
2011-11-26 04:18:00 Essas veneráveis estruturas, o enredo e a rima,por que me são inúteis agoraque quero fazeruma coisa imaginada, e não recordada?Ouço o ruído da minha própria voz:A visão do pintor não é uma lente,treme ao acariciar a luz.Mas às vezes tudo o que escrevocom a arte gasta dos meus olhosparece um instantâneochocante, apressado, berrante, estreito,elevado face à vidamas paralisado pelos factos.Tudo é desconforme.Mas porque não dizer o que aconteceu?Pede a graça da exactidãoque Vermeer deu à iluminação do solespraiado como uma maré num mapasobre a sua rapariga concreta e ansiosa.Somos pobres factos passageirose isso avisa-nos para que demosa cada figura nas fotografiaso seu nome vivo. - Robert Lowell(versão de Pedro Mexia)
Crítica nos Jornais
2011-11-23 14:04:00 Moderador: Francisco BelardMesa:António GuerreiroDavid Teles PereiraJosé Mário SilvaPaulo da Costa DomingosPedro Mexia25 de NovembroFaculdade de Ciências Sociais e HumanasEdifício ID / 18h-20h
A bomba
2011-11-22 23:53:00 A bombaé uma flor de pânico apavorando os floricultoresA bombaé o produto quintessente de um laboratório falidoA bombaé estúpida é ferotriste é cheia de rocambolesA bombaé grotesca de tão metuenda e coça a pernaA bombadorme no domingo até que os morcegos esvoacemA bombanão tem preço não tem lugar não tem domicílioA bombaamanhã promete ser melhorzinha mas esqueceA bombanão está no fundo do cofre, está principalmente onde não estáA bombamente e sorri sem denteA bombavai a todas as conferências e senta-se de todos os ladosA bombaé redonda que nem mesa redonda, e quadradaA bombatem horas que sente falta de outra para cruzarA bombamultiplica-se em ações ao portador e portadores sem açãoA bombachora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminésA bombafaz week-end na Semana SantaA bombatem 50 megatons de algidez por 85 de ignomíniaA bombaindustrializou as térmites convertendo-as em balísticos interplanetáriosA bombasofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose, de verborréia... More About: Bomba
A voz
2011-11-22 21:16:00 Uma canção cantava-se a si mesmana rua sem foliões. Vinha no rádio?Seu carnaval abstrato, flor de vento,era provocação e nostalgia.Tudo que já brincou brincava, trêmulo,no vazio da tarde. E outros brinquedos,futuros, se brincavam, lecionandouma lição de festa sem motivo,à terra imotivada. E o longo esforço,pesquisa de sinal, busca entre sombras,marinhagem na rota do divino,cede lugar ao que, na voz errante,procura introduzir em nossa vidacerta canção cantada por si mesma.- Carlos Drummond de Andrade
Pombo-Correio
2011-11-22 17:02:00 Os garotos da Rua Noel Rosaonde um talo de samba viça no calçamento,viram o pombo-correio cansadoconfusoaproximar-se em vôo baixo.Tão baixo voava: mais rasoque os sonhos municipais de cada um.Seria o Exército em manobrasou simplesmentetrazia recados de ai! amorà namorada do tenente em Aldeia Campista?E voando e baixando entrançou-seentre folhas e galhos de fícus:era um papagaio de papel,estrelinha presa, suspirometade ainda no peito, outra metadeno ar.Antes que o ferissem,pois o carinho dos pequenos ainda é mais desastradoque o dos homense o dos homens costuma ser mortaluma senhora o salvatomando-o no berço das mãose brandamente alisa-lhea medrosa plumagem azulcinzacinza de fundos neutros de Mondrianazul de abril pensando maio.3235-58-Brasildizia o anel na perninha direita.Mensagem não havia nenhumaou a perdera o mensageirocomo se perdem os maiores segredos de Estadoque graças a isto se tornam invioláveis,ou o grito de paixão abafadopela buzina dos ônibus.Como o correio (às vezes) e...
Que espécie de anjo
2011-11-21 03:43:00 A carne é triste, e eujá li todos os livros.Mallarmépara o Jorge e o ManuelNeste vazio, simples, directo, ficamoscomo possuídos, amaldiçoando o mundoem voz baixa nestes apartamentos minúsculos.Lâmpadas fundidas, lençóis sujos,esse colchão cansado e a janela segurandoum copo de chuva.Recebemos estranhos. Tenho um alicom a cabeça metida na penumbra,extraindo a claridade de alguma veia.(Não sei que espécie de anjo descetão baixo.) Os infelizes que se enforcamneste meu quarto de que a cabra da luatanto gosta, e vem vê-los baloiçar.A minha voz muda a noite inteira,rindo nuns tropeções de choro,amargo deslize entre música e sonoderramado. Ando de punhos cerradose boca aberta que vailer nos lábios de um reflexouma descrição absurda. Olha para ti:de roupão, saco de plástico, lembrasum vagabundo, para cá e para lá,dentro de casa. Escuta,o sol já se deixa ouvir nos fundos,mas perdeste a nitidez. Objectos, imagens.A luz, por aqui, mal pousa nas coisas.Não reconheço o céu, não entendoonde nos ... More About: Anjo
Uma laranja pode atrair-me ao teu quintal
2011-11-20 22:05:00 Uma laranja podeatrair-me ao teu quintalmas tambémo céu reflectido nas janelas,ou atéo anel que brilha na tua mãoquando fechas a porta.Uma flor, sim, uma florpode atrair-meao teu quintalou um insecto- pássaro, flor -na verdade, um vermepode atrair-meao teu quintal.Um buraco na terra, ervas daninhaspodem atrair-meao teu quintal.Esse pedaço de pele entreo teu ombro e o teu pescoçopode atrair-meao teu quintalde um modo geral, aliás,o corpoou o som de um fruto a cairpesado demaisno chão do teu quintal- o balde da águamigalhas de pãoo cair da noitea luz acesao cheiro a comidapodem atrair-meao teu quintal.- Ana Duarte
Chegou a altura de encontrar um lugar
2011-11-18 15:16:00 Chegou a altura de encontrar um lugarpara estar em silêncio um com o outro.Tagarelei sem fimem salas de professores, corredores, restaurantes.Quando não estás pertodesenrolo conversas na cabeça.Até este poematem quarenta e nove palavras a mais.- Eunice de Souza(tradução de Ana Luísa Amaral)in Poemas Escolhidos, Cotovia
De estranho/modo
2011-11-18 14:15:00 Falei muito deestranhezae devo agora, ai de mim,praticá-la.Os teus poemas já não sãomensagens para mime os meus tornaram-seum epitáfioa uma tarde de fim de Novembroquando os últimos raios tocavamas folhas, os bronzes, a velha arca de teca,e esqueci-me por instantesdo que um velho pintor meu amigo me ensinou:As formas sem dor, disse ele, são fúteis.Que assim seja. Embora eu o preferissede outro modo.- Eunice de Souza(tradução de Ana Luísa Amaral)in Poemas Escolhidos, Cotovia
Um gume carnívoro
2011-11-17 12:43:00 Um gume carnívorode asa doce e homicidasustém um voo e um brilhoao redor da minha vida.Raio de metal crispadofulgentemente caídoflanqueia e a meu ladofaz um triste ninho.Meu templo, florido terraçode minhas idades idas,negro está, e meu coração,meu coração com cãs fica.Tal é a má virtudedo raio que me rodeia,que volto à minha juventudecomo a lua à aldeia.Num vislumbre lançosal à alma e sal aos olhose flores de teias de aranhade minhas tristezas colho.Aonde irei que não váa minha perdição encontrar?O teu destino é da praiae a minha vocação o mar.Descansar destes trabalhosde furacão, amor ou inferno,não é possível e o que dóidoerá, será sempre eterno.Mas por fim poderei vencer-te,ave, raio inacabável,coração, que da morteninguém há-de duvidar.Segue, segue gumevoando, ferindo. Algum diase porá o tempo amarelosobre o meu retrato.- Miguel Hernandez(tradução de Ana Salomé)encontrado aqui
Noite
2011-11-16 19:29:00 Os gestos mudaram, a iluminação também.Conseguimos esconder-nos atrás de nós mesmos.A noite, como sempre, vai servindo para esperar.De que se vive, afinal? De que se morre?- Vítor Nogueira
O senhor da meteorologia
2011-11-16 18:43:00 Aparecia sempre a seguir às notícias,quase extraviado e quase se desculpandopelo seu ponteiro negro golpeando os nossos mapas.Nunca traiu uma revolução,um acidente aéreo, o adeus de uma estrela,ou uma paisagem incrível entre os olhos.Nunca mudou o tempo.Mas nesse seu papel inofensivo e sem pretensõesestava a verdade do dia seguinte.- Ángel Mendozain Pequeñas Posesiones, Renacimiento
Habitação
2011-11-15 23:03:00 Habitação de silêncios. Vemem passos de cinza a avô. Segue o rastrodo Ángel e do demónio que, uma vez mais,abriu as gaiolas aos pintassilgose os deixou voar. Derrama afónicaa sua voz de pátio húmido. Sua velhicesabe onde me escondi________________mas segue buscando.- Ángel Mendozain Pequeñas Posesiones, Renacimiento
Interior
More articles from this author:2011-11-15 22:55:00 O que foi restando dentro da casaem que vendiam canárioscontinua a pulsar, mágico e seguro,como se eu tivesse ainda nove anos.O velho gira-discos dos meus tios,um sol brunindo o alpista derramado,a palmeira sem nome e sem amanhã,água em cubos metálicos.O que foi restando lá dentro não soubedo sangue dos dias, da estranhapaisagem que a morte deixa ao fundo,a luz como recordação de uns pássaros.- Ángel Mendozain Pequeñas Posesiones, Renacimiento More About: Interior 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 |



