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O Melhor Amigo

O Melhor Amigo
Uma relação de atenção e interesse... (isto agora não interessa nada mas obrigaram-me a escrever pelo menos 40 caracteres para descrever o blog e pronto, espero que isto chegue)
Articles: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7

Articles

Brutinhos
2009-09-24 01:35:00
Num artigo a propósito do mais recente livro de Manuel Cintra (Alçapão, &etc., Maio de 2009), Henrique Fialho diz o seguinte:«há na poesia actual uma tendência algo snob para disfarçar o indisfarçável. Uma imensa maioria dos poemas que por aí se lêem só merece a designação de poemas porque quem os escreveu resolveu partir em verso as pequenas histórias que saltaram para a página. Caso contrário, seriam estórias ou aforismos.»Este excerto suscita desde logo (e mais uma vez) a velha e talvez dispensável necessidade de tentar entender-se afinal o que se "deve" esperar então dessa magna arte que é (será mesmo?) a poesia? Será ainda o absoluto mais o belo, e o sublime já agora...? Qual é a fórmula? Existe uma? Será que é ainda este o nível a que estamos dispostos a descer quando discutimos poesia?É comum e pode parecer bastante natural que num país que não consegue ser mais do que pequeno, a intelectualidade, também ela, acabe por ser outro meio ou registo para o exercício fútil do ó...
Raymond Carver
2009-09-23 10:16:00
OcasiõesCada poema que escrevi foi, para mim, uma ocasião de primeira grandeza. Tanto assim que, creio, consigo recordar as circunstâncias emocionais que estavam em jogo quando escrevi o poema, o que me rodeava fisicamente e, até, que tempo fazia. Sob uma certa pressão, penso que poderia quase nomear o dia da semana. Em grande parte dos casos, sou capaz de lembrar-me, pelo menos, de que poemas foram escritos durante a semana ou ao fim-de-semana. Na sua maioria, certamente, posso recordar o momento particular do dia em que os escrevi - de manhã, ao meio-dia, à tarde ou, muito de vez em quando, noite dentro. Este tipo de evocação não se verifica com a ficção que escrevo, especialmente com as histórias que escrevi no início da minha carreira. Quando olho para trás, para o meu primeiro livro de contos, por exemplo, tenho que dar uma olhadela às datas de edição até para ter a certeza do ano em que as histórias foram publicadas, e a partir daí posso conjecturar - acrescentar ou tirar um a...
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Litania
2009-09-22 20:56:00
O teu rosto inclinado pelo vento;a feroz brancura dos teus dentes;as mãos, de certo modo, irresponsáveis,e contudo sombrias, e contudo transparentes;o triunfo cruel das tuas pernascolunas em repouso se anoitece;o peito raso, claro, feito de água;a boca sossegada onde apetecenavegar ou cantar, ou simplesmente sera cor de um fruto, o peso de uma flor;as palavras mordendo a solidão,atravessadas de alegria e de terror;são a grande razão, a única razão.- Eugénio de Andrade
Carta de um náufrago
2009-09-22 02:12:00
Com o consentimento da nevecaminharei devagar.Alguém haverá à espera junto do fogoe eu, que estarei cega pelo frio,farei paragens breves,sacudirei o guarda-chuva e começarei de novo.O único segredo é não sentir-seimensamente cheio de verdades.Não aceitar nunca os convitesque o nevoeirosugere ao fazer ninho com os seus disfarcesde paisagem feliz, de grandes sonhos.Alguém haverá que diga, perdeu-se,alguém sairá a procurar-me,e levará o calor de uma garrafaonde poderei mandar-te esta mensagem.- Ana Merino
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Aos dois, três, mais às vezes
2009-09-19 06:50:00
É tão poeta tão poeta mas tão que quando levanta a mão do papel os grandes versos não ficam lá, só a ideia deles, uma sombra vazia, a de os ter sonhado. Menos que nada.
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Poeta de Alexandria
2009-09-19 04:54:00
Ninguém acompanha, quando cai a tarde,a sua solidão.Mão alguma empresta fugitivo calora quem dele tanto precisae que lento caminha, o olhar perdido,para o lugar onde a luz de agostoainda o protege.Das ruas estreitaschega um cheiro, elementar e penetrante,de alimentos e corpos,noutro tempo apreciados.Leve, o seu passoperde-se entre o inquieto murmúriode músicas e vozes.Esta é a cidade que tanto amou,cujas pedras e árvores,minaretes e praças,debaixo do pesado sol do meio-diaou à claridade trémula das estrelasconheceu tal como hoje os seus sonhos.Continua a avançar,desconhecido,ignorado por aquelesque um dia os seus lábios lhe entregaram,a sua tristeza, o seu desejo fizeram seus.O vermelho resplendor, por um momento,sobre a espuma se detém.Já cinzento depois,empalidece no cansaço das rochas,resvala pelas janelas abertas ao crepúsculo.Um ligeiro tremor,a transparente sombra de uma lágrima,agora que por fim se deteve,fazem mais vencida,mais frágil a sua figura.Não importaou talvez import...
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Martín Espada
2009-09-18 20:43:00
A minha poesia assenta em dois pilares: na imagem e na imaginação política.Ainda que a "imagem", em poesia, remeta para os cinco sentidos, eu fui particularmente influenciado pelo trabalho do meu pai, que é fotógrafo documental. Enquanto escrevo, penso em mim próprio a focar uma lente, esforçando-me por criar uma imagem o mais clara, penetrante e detalhada possível. Acredito na metáfora e no símile como métodos de construção desta imagem. A imagem está para o poema como vagão está para o comboio. Se ligarmos os vagões necessários, o poema começa a mover-se.A poesia da imaginação política é uma questão de visão e de linguagem. Qualquer mudança social progressista primeiro tem que ser imaginada, para permitir a passagem da visão à realidade. Qualquer condição social opressiva, antes de ser transformada, tem que ser nomeada e condenada através de palavras que persuadam, agitando as emoções, despertando as mentes. (...) Deve notar-se que os [meus] poemas empenham-se em ir para além do p...
Réquiem por uma jovem mãe
2009-09-18 15:43:00
Acordada na noite pelo antigo costumenem agora esquecida sob a insígnia húmidade uma chuva insistente, suportando o silênciocomo um animal ferido que o sofrer afastasse,com as costas no frio tão extenso da pedraos olhos abre para onde não há-de ver jamaisas cândidas giestas, as tílias abundantesentre as quais noutros tempos o júbilo morava:quando às vezes lhe chegam com o vento as notíciasdaqueles que apertava como um pão contra o peito,ao sentir que não pode sua solidão gritar-lhes,a garganta desfeita rompe em obscuro pranto.- María Victoria Atencia
A rua solitária
2009-09-18 03:27:00
Acabaram as aulas. Está demasiado calorpara passear. Mas elas passeiamem ligeiras vestes pelas ruaspara matar o tempo.Cresceram muito. Na mão direita levamchamas cor-de-rosa.De branco dos pés à cabeça,olhando furtivamente ao passar ?de amarelo, roupas soltas,cinto e meias pretas ?tocando as ávidas bocascom açucar rosado num pauzinho ?como um cravo que cada uma leva na mão ?sobem a rua solitária.- William Carlos Williams
The Hurt Locker (2008)
2009-09-18 01:12:00
7/10
More About: Hurt , Locker , 2008
O sertanejo falando
2009-09-17 20:36:00
A fala a nível do sertanejo engana:as palavras dele vêm, como rebuçadas(palavras confeito, pílula), na glacede uma entonação lisa, de adocicada.Enquanto que sob ela, dura e endureceo caroço de pedra, a amêndoa pétrea,dessa árvore pedrenta (o sertanejo)incapaz de não se expressar em pedra.2.Daí porque o sertanejo fala pouco:as palavras de pedra ulceram a bocae no idioma pedra se fala doloroso:o natural desse idioma fala à força.Daí também porque ele fala devagar:tem de pegar as palavras com cuidado,confeitá-las na língua, rebuçá-las;pois toma tempo todo esse trabalho.- João Cabral de Melo Neto
Numa estação de Metro
2009-09-17 13:19:00
Desventurados os que avistaramuma rapariga no Metro e se apaixonaram de repentee a seguiram enlouquecidose a perderam para sempre entre a multidãoPorque serão condenadosa vaguear sem rumo pelas estaçõese a chorar com as canções de amorque os músicos ambulantes cantam nos túneisE se calhar o amor não é mais do que isso:uma mulher ou um homem que sai de uma carruagemnuma qualquer estação de Metroe resplandece por uns segundose desaparece na noite sem nome- Óscar Hahn(tradução de LP)
W.D. Snodgrass
2009-09-16 17:04:00
A poesia dá-nos a oportunidade de, por breves instantes, experimentarmos os pensamentos de outros e, assim, pormos em movimento - e talvez desenvolvermos - partes da musculatura da mente que, por falta de uso, se tornariam flácidas. Fazendo-o, isto amplia a gama das nossas possibilidades de escolha para decidirmos que tipo de pessoa nos tornaremos. Nada disto é fácil, mas a maior parte das coisas que nos dão verdadeiro prazer também não o são. Tal como o basquetebol ou os enigmas, a poesia é uma daquelas coisas que definiríamos como "trabalho árduo" - não se desse o caso de ter tanta piada. (versão minha do depoimento do poeta reproduzido em The invisible ladder, selecção e organização de Liz Rosenberg, Henry Holt and Company, Nova Iorque, 1996, p. 7).
Otto Dietrich zur Linde
2009-09-16 00:42:00
DEUTSCHES REQUIEM Ainda que ele me mate, confiarei nele.Job 13:15 "(?) Homem de olhos memoráveis, de pele citrina, de barba quase negra, David Jerusalém era o protótipo do judeu sefardita, embora pertencesse aos depravados e enfadonhos Ashkenazim. Fui severo com ele; não permiti que a compaixão nem a sua glória me abrandassem. Eu tinha compreendido há muitos anos que não existe nada no mundo que não seja o germe de um inferno possível; um rosto, uma palavra, uma bússola, um anúncio de cigarros, poderiam enlouquecer uma pessoa, se esta não conseguisse esquecê-los. Não estaria louco um homem que continuamente pensasse no mapa da Hungria? Determinei aplicar este principio ao regime disciplinar da nossa casa e? Em fins de 1942, Jerusalém perdeu a razão; no primeiro de Março de 1943, conseguiu matar-se.Ignoro se Jerusalém compreendeu que, se eu o destrui, foi para destruir a minha piedade. Perante os meus olhos, ele não era um homem, nem sequer um judeu; transformara-se no símbolo de uma...
Último Livro
2009-09-16 00:17:00
"É uma nova Bíblia?O Último Livro. Quem não tem nada a dizer, di-lo-á aqui?anonimamente. Esgotaremos a era. Depois de nós, não haverá nem mais um livro?pelo menos durante esta geração. Outrora, cavámos às escuras, guiados apenas pelo instinto. Agora temos um receptáculo onde verter o fluido vital, uma bomba que, quando a arremessarmos, detonará o mundo. Enriqueceremos o livro de tal forma, que os escritores futuros tirarão dele os seus enredos, as suas tragédias, os seus poemas, os seus mitos, as suas Ciências. O mundo poderá alimentar-se dele durante os próximos mil anos. É de um pretensiosismo colossal. Fico abalado só de pensar no livro.Nos últimos cem anos, ou talvez mais, o mundo, o nosso mundo, tem vindo a definhar. E nem um homem, durante os últimos cento e tal anos, foi maluco o suficiente para enfiar uma bomba no cu da Criação e detoná-la. O mundo apodrece, morrendo aos bocados. Mas precisa do coup de grâce, precisa que o desfaçam. Nenhum de nós está intacto, mas temos cá d...
Metáfora
2009-09-15 15:21:00
As tuas sombras florescem agora ao pé da camaE desbotamOs últimos factos irritados.No teu roupão oriental,As borboletas douradas, presas às suas folhas de seda,Sofrem com a súbita escuridão à tua porta.Falas de borboletas, dos seus luxos, seus engenhosE do seu cativeiro.Dizes«Nós vivemos nestas analogias.»O rumor da água treme no lábioDeste copo que estás prestes a esmagar;As tuas cortinas ardem como ondulados escudosPor estes campos de neve no fim de SetembroQue te vão matando.- Ian Hamilton
Epitáfio
2009-09-15 15:09:00
O aroma de rosas velhas e tabacoFaz-me regressar.Há quase vinte anosQue não nos vemosE a nossa desapegada paixão continua.Foi isto que me deixaste:A mão, entreaberta, imóvelSobre uma colcha verde.O bastante para erguerAlguns poemas melancólicos.Se então eu te houvesse tocadoUm de nós podia ter sobrevivido.- Ian Hamilton
Fotografia Antiga
2009-09-15 15:07:00
Tu vagueias na profundidade do campo Que vem dar ao quarto onde eu dantes trabalhava E de tempos em tempos Olhas para cima para ver se te estou a espreitar. Até hoje Os teus braços estão cheios das flores silvestres De que estavas tão enamorada.- Ian Hamilton
More About: Fotografia
Os Recrutas
2009-09-15 15:00:00
«Nada mexe», dizes, e fitas para além da relva.«Há sol em todo o lado. Não vai haver uma brisa.»Pássaros debruam as valetas, e da nossa janelaVemos uma fila de gatos atravessar cinco jardinsAté à sombra e ficar ali, a olhar o céu.Voltas a gemer: «Eles sabem.»As moscas mortas acumulam-se no peitoril.Tremes com o silêncio que escurece até que perfileA noite perfeita em ti. E então gritas.- Ian Hamilton
A um passo de distância
2009-09-15 04:05:00
É a minha hora de almoço, por isso voupassear por entre táxis pintadosde ruído. Primeiro, pelo passeioonde trabalhadores alimentam os troncossujos brilhantes com sanduíchese Coca-Cola, usando capacetesamarelos. Acho que os protegemda queda de tijolos. Depois pelaavenida em que saias rodopiamnos calcanhares e levantam voo sobreos gradeamentos. O sol, queima, masos táxis agitam o ar. Observopechinchas em relógios de pulso. Hágatos que brincam na serradura. ______________________vParaTimes Square, onde o anúnciosopra fumo sobre a minha cabeça e no altoa cascata jorra suavemente. UmNegro numa portada com umpalito, mexe-se langorosamente.Uma corista loura faz soar um estalido: elesorri e esfrega o queixo. De súbitotudo buzina: são 12:40 deuma Quinta-Feira. _____________Neon de dia é umgrande prazer, como Edwin Denbyescreveria, como são as lâmpadas eléctricas de dia.Paro para um cheeseburger no JULIET'SCORNER, Guilietta ...
A magnólia
2009-09-14 20:37:00
para a Ana Teresa Pereiraágil, estalava a tarde, lá fora,nos passos seguros de quem não temtemor aos versos. acabara alio verão selvagem dos teus olhos,aquele lugar fundo de águae de flores onde um cão zelosoguarda ainda uma bibliotecae o segredo maior da tempestade,sem dizer uma palavra,fui fechando atrás de mimas alamedas de Manderley,e saí para comprar uma magnólia.- Renata Correia Botelho
What doesn't kill you (2008)
2009-09-14 01:11:00
8/10
More About: Kill , 2008
Paisagem com queda de Ícaro
2009-09-13 17:02:00
De acordo com Brueghelquando Ícaro caiuera primaveraum lavrador aravaos seus campostodo o esplendordo anoformigava aliàbeira do marconsigo mesmopreocupadosuando ao solque derretiaa cera das asaspertoda costahouveuma pancada quase imperceptívelera Ícaroque se afogava - William Carlos Williams
Estas
2009-09-13 16:05:00
são as semanas desoladas, sombriasem que na sua aridez a naturezarivaliza com a estupidez humana.O ano despenha-se na noitee o coração é um abismomais fundo que a noitenesse vazio varrido pelo ventosem sol, sem lua nem estrelasapenas uma estranha luz do pensamentoque lança um tenebroso fogo ?rodando sobre si mesma aténo frio incendiar-see revelar ao homem algo que eledesconhece, não a solidãoem si ? não um espectroainda que o pudesse abraçar - vazio,desespero ? (gemendosoluçando entreas chamas e os estrondos da guerra;casas em cujos aposentoso frio ultrapassa o imaginável,aqueles que se foram e que amávamosvazias as camas, húmidos ossofás, as cadeiras sem uso ?Oculta-o algureslonge do pensamento, deixa-o criarraízes e crescer, salvo de olhos e ouvidosciosos ? por si somente.A esta mina chegam para escavar ? todos.Será isto o contraponto da música maissuave? A fronte da poesia queao ver o relógio parado, diz:Parou o relógioque ontem trabalhava tão bem?e ouve o som das águas do lagosa...
Creyeron que murió, pero renacerá
2009-09-13 15:50:00
Si desaparecióen mi aparecerácreyeron que muriópero renaceráLlovió, paró, llovióy un chico adivinóoímos una voz, y desde un tangorumor de pañuelo blancoNo eran buenas esas épocasmalos eran esos airesfue hace veinticinco añosy vos existías, sin existir todavíaSi desaparecióen mi aparecerácreyeron que murió y aquí se nace,aquí la vida renaceNo eran buenas esas épocasmalos eran esos airesfue hace veintinco añosy vos existíasNo eran buenas esas épocasmalos eran esos airesfue hace veinticinco añosy vos existías, sin existir todavíaGotan Project - Época
A uma velha pobre
2009-09-12 16:29:00
mastigando uma ameixa pelarua com um saco de papelcheio delas na mãoSabem-lhe bemSabem-lhebem. Sabem-lhebem.Vê-se issopela maneira como se entregaà metade já chupadaque tem na mãoConfortadaum gosto de ameixas madurasparece encher o arSabem-lhe bem- William Carlos Williams
Nick & Norah's Infinite Playlist (2008)
2009-09-12 01:38:00
Coisas boas, previsíveis e adolescentes com miúdos desses que têm sempre tiradas muito giras - 7/10
More About: Playlist , Nick , Infinite , 2008
Martín Espada
2009-09-11 20:25:00
Conselho aos jovens poetasNunca finjasser um unicórnioespetando um desentupidor na testa(versão minha; original aqui).
nine-eleven
2009-09-11 18:50:00
É uma questão de tempo, José.
Já não se vê o trigo
2009-09-11 08:06:00
Já não se vê o trigo,a vagarosa ondulação dos montes.Não se pode dizer que fossem contigo,tu só levaste esse modoinfantil de saltar o muro,de levar à bocaum punhado de cerejas pretas,de esconder o sorriso no bolso,certa maneira de assobiar às rolasou então pedir um copo de água,e dormir em novelo,como só os gatos dormem.Tudo isso eras tu, sujo de amoras. - Eugénio de Andrade
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