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Joao Malainho

Joao Malainho
Blog pessoal com textos (poemas, críticas, crónicas, trabalhos académicos), fotos, vídeos...
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Morreu
2005-09-22 02:21:00
Rios de lágrimas não regam campos de vinhaAdorava a forma como ela dançavaembora a sua dança nunca fosse minhaAgora apenas o vinho me embriagaJá nada tens que me inspireO meu egoísmo faz-te prostitutaA minha razão diz-me que pareO meu ego chama-te de p_ _ _Eu já nem sei o que ésEu deixei de te conhecerdeixaste de me ter aos teus pésO mundo vê-me renascerTriste és se nada recordasSe tudo é mau, a culpa é tuadeixa-te de merdasA verdade é cruaO teu rosto já não brilhaos teus olhos são manchas vaziasa Magia perdeu a sua melhor filhaO anjo da morte tirou-te o que queriasQuem deixou de se perceberQuem desistiu de viverQuem nunca mais me irá ter...Morreu!!O anjo negro desceuMorreu!!Cumpra-se o destino que é seuEu... Vou seguir o meu!João Malainho
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Na Rua da Bruxa
2005-03-30 02:13:00
Está frio como uma lágrima de bruxaNeste incêndio de lenha verdeAs brasas encarnadas sabem quem puxaNo cume do Vesúvio, sobre a lava, cai neveCotovelos rasgados por ossos proeminentesVerrugas deitadas numa face sem dentesVassoura mágica de rumo perdidoJá lá vai o corvo dar-lhe sentidoCérebro putrefactoDroga substitutaFraco nobre actoDe uma prostitutaRua desertaPorta abertaEntra e pagaSai sem sentir nadaMaior desejoSaciar a fome de um beijoCom um acto para esquecerAfogado na ribeira até ao amanhecer.João Manuel Malainho
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Ainda...Esperança
2005-03-28 23:07:00
Ainda estou vivoPor mim e para mim,Não sou um objecto que sirvoMas um ser completo, tal como vimO sono não me convence a deitarA música convida-me a ficarMantenho-me acordado, a pensarE é bom, embora precisasse de mais arAr, é sempre poucoTenho de respirarA água lava-me a alma, mas estou secoNão sei nadarTenho apenas o desejo de voarNem preciso de ir a lugar algumApenas e só, voarVoltar para mim, e ser só ou acompanhado, umNão, não estou sujo, nem entupidoHá uma chama sobre a minha mesaUma vela de crepitar lento e mudoQue me lembra que eu mereço uma asaE dessa asa criarei um anjoQue serás tu a descobrirQuando me souberes ver, a sorrirAtravessando o Nilo, o Danúbio, ou até o TejoPorque o Douro mora já aliE a ausência marca a diferençaEm cada linha revi em ti o que liE espero mostrar-te para que vale a esperança!João Manuel Malainho
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Assassínio
2005-03-28 15:15:00
Saí de casa, porque já não era tempo de ficar para aliTinha de reagir como se nada tivesse acontecidoAs minhas mãos, ainda ensanguentadas, revelavam o sucedidoDo crime que repetia o livro mórbido que liPercorri o quarto, a sala e o corredorAntes de deixar para trás as provasOs meus olhos reflectiam a corQue inundava as paredes que lavasMudei, de ingénuo a criminosoEm poucos minutos consegui ser horrorosoExtravasei em facadasA negrura de pensamentos de vidas passadasMatei a infância e a adolescênciaConfesso-me culpado e penitenteCondenado a ser adulto permanentementeSem espaço para alguma inconstância.João Manuel Malainho
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Lá Longe
2005-03-27 03:38:00
A noite perde-se na inquietude da ansiedadeNo rasto de um perfume que se desvaneceLá fora as luzes acesas da cidadeMostram a sombra da alma que pereceEstou tranquilo como poucas vezes me sentiEstou apaziguado pela calorosa presença de mimAprendi a resistir e a viver sem tiE todas a ruas sabem que a vida é assimSó tu não sabes o que a vida me reservaDo alto de uma ambição desmedidaEspero que um dia me vejas cheio de vidaLá longe onde gostarias de estar e não na "merda"Não sei quantos me seguirãoMas sei que não quero mandarApenas viver e amarSem que isso se torne ilusãoSe algum dia quiseste arriscarnão foi comigoSe algum dia perdeste o olharNão foi comigoSe algum dia esmoreceresNão te voltes para mimNo dia em que morreresMorrerá no entanto grande parte de mim... João Manuel Malainho
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Ciúme
2005-03-26 23:16:00
Aprendi a não te temerSó não consigo fazer-te desaparecerMaldito fantasma do ciúmeQue destrois a beleza inocente com o teu lumeNão me deixas apreciar essa belezaSem que a tente ocultarNão me deixas libertarTerrível é a tua destrezaDança uma vez maisIncendeia-me o coração, rebenta-me com a razãoSou eu o destino dos teus sinaisMas aparece o fantasma para destruir a excitaçãoRetira-me o privilégio de ser únicoMata o sacrilégio de tão grande desejoProcura levar-me ao pânicoQuando já não sei o que vejoO copo... quase vazio, é a última tentaçãoPara escapar ao fantasma vilãoMas o teu número acaba, abandonas o palcoCorre o pano, sobra apenas o ecoSombras são tantas. De pé, batem palmasEntregues ao talento, e à sedução da belezaO que faço aqui? Nada! Abram alas!Procuro no camarim o fim do fantasma da tristezaQual ave esguia, desaparecida na escuridãoSubo e desço escadas e perco a razãoNão queres ser encontrada, e não o serásA menos que me queiras trazer pazDe repente... tanta luz se acendeuQ...
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Aqui vim
2005-03-26 19:08:00
Vi-me e encontrei-me no rumo da felicidadeAo olhar fundo nos teus olhosVi da natureza, a bela diversidadeQue me espanta nesses tons castanhosE já no teu regaçoChamei pelos teus braçosSedento de um abraçoQue acompanhasse os teus passosPara onde quer que fossesE sempre me tivessesProstrei-me aos teus pésQue sustentam o teu corpo de sonhoDe tão bela que ésDeixas-me louco de todo o tamanhoSinto-me grande, enorme, sinto-me Homem!Com todas as letras do teu amor por mimE do alto de toda a paixão e desejo que nos unemEscrevo para ti, digo-te o quanto te Amo, por isso aqui vim. João Malainho
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Ser
2005-03-26 19:03:00
Sou um loucoNada tenho que prove o contrárioSou um loucoDe saber arbitrárioÉs uma loucaDás-me tudo para que nada tenhaÉs uma loucaQue aos meus ouvidos diz a contra-senhaÉ um loucoQue sonha contigoÉ um loucoQue tens por amigoSomos uns loucosQue não nos tocamosSomos uns loucosCom medos que não percebemosSois uns loucosQue me entendeisSois uns loucosPorque se me mantêm fieisSão uns loucosQue nos perseguemSão uns loucosQue fascinados, nos temem. João Manuel Malainho
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Cai a noite
2005-03-26 18:56:00
Cai a noite, mais uma vezCintilando no alto aquela que todas viuNão tendo luz própria recebe o sol na sua tezE mostra a sua lógica ilógica àquele que diante dela sorriuA pressão aumenta e bate e esmagaE tu transpiras e nada te aliviaNem a árvore plantada, nem o livro narrando a tua sagaAs paredes do quarto apertam-se em fúriaSerá que existe um lugar onde centrar tudo isto?Que seja real, assumido, e finalmente aberto?Vou tentar encontrá-lo naquilo que já foi vistoOu então ganhar forças para mudar o concreto.AguentaSe não saíste da produção em sérieAguentaSe és daqueles feitos à mão, com arestas por limarTentaSobreviver aos olhos da massa, vivendo aos teus.E quando os da série, feitos na produção em massaJá estiverem na sucataNessa altura, as tuas arestas estarão limadasEntão, finalmente, com fundamento, por ti e por quem mereceSorri! João Manuel Malainho
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Medo - de ser feliz
2005-03-26 18:43:00
Nem uma só frase se repetirá, hoje falo do medoO medo consentido, parvamente consentido de ser felizComo se fosse terrível acordarSem um mundo inteiro para culparTodos os que nos rodeiam parecem gritar, nas suas vozes irritantesSe pararmos para pensar, veremos que falam, apenas falamE alguns até dizem coisas interessantesSe tivermos a inteligência de ouvir aqueles que nos amamTeremos tantas saudades desse som, quando ele nos faltarMas não será a certeza da falta que nos impedirá de viverSeria o sumo contra-senso da graça de nascer e chorarAs lágrimas são para derramar, pelos motivos que houverE quem os tem (motivos), que não as desperdice (lágrimas), são de ouroNo coração de quem no-las provoca, se forem por uma bela memóriaNo cimo de um monte... Num miradouro...Numa rua perdida... Num quarto já vazio... Numa praia...Quem nunca se perdeu, que encontre o beco sem saídaPara perder as estúpidas certezas que nos cercam na vidaE cercariam para sempre, não fosse a coragem de por algo maio...
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Nada de novo
2005-03-26 18:39:00
Estou farto e cansado como todos, um diaDe esperar o que acontece, nada de novoAté este, é um texto velho que escrevoNovo é o papel da repetida históriaQuando chego onde chegarCom a neblina da manhãLá prós lados da glória vãEncontro alguém a chorarA originalidade em pessoaEsquecida por quase todosQue se assustam nos lodosPutrefactos duma inteligência que já não voaSe mais houver que dizerEspero até que me dê algum prazerPois não me quero aborrecerEscrevendo só por escrever...Assim seja! João Manuel Malainho
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A Marca da Escrita
2005-03-26 18:29:00
Ao escrever aquilo que verdadeiramente se sente e pensa estamos, antes de mais, a elogiar a liberdade, mesmo que não tenhamos consciência disso. Escrever assemelha-se, neste aspecto, a gritar alto e a bom som a toda a gente. E ao fazê-lo deixamos indelevelmente um pouco de nós (por vezes tanto) em cada frase, em cada palavra até.A esse pedaço de nós, que deixamos para trás mas sempre nos persegue, chama o autor de marca individual. Individual porque é só nossa, de cada um, e que se destingue pela forma como transmitimos aos outros o que nos vai na alma. Mais do que pelos termos empregues, mas sobretudo pela forma e pelo tom com que impregnamos cada texto mais profundo, cada legado eterno do ser humano. Essa individualidade, que não se pode confundir com egocentrismo, jamais se deve perder. Escrever é um Dom que deve ser respeitado até nas coisas mais simples. E transmitido como o cunho pessoal que ameniza ou exalta as emoções, que se transmite desde as mais antigas gerações, e que a...
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"Bonita" - Comentário
2005-03-26 18:25:00
BonitaPrimeiro foram as mãos que me disseramque ali havia gente de verdadedepois fugi-te pelo corpo acimamedi-te na boca a intensidadesenti que ali dentro havia um tigrenaquele repouso havia movimentoolhei-te e no sol havia pedrasparámos ambos como se parasse o tempoparámos ambos como se parasse o tempoé tão difícil encontrar pessoas assim bonitasé tão difícil encontrar pessoas assim bonitasatrevi-me a mergulhar nos teus cabelosrespirando o espanto que me derasali havia força havia fogohavia a memória que aprenderassenti no corpo todo um arrepiosenti nas veias um fogo esquecidopercebemos num minuto a vida todasem nada te dizer ficaste ali comigosem nada te dizer ficaste ali comigoé tão difícil encontrar pessoas assim bonitasé tão difícil encontrar pessoas assim bonitasfalavas de projectos e futurode coisas banais frivolidadesmas quando me sorriste parou tudoproblemas do mundo enormidadessenti que um rio parava e o nevoeirovestia nos teus dedos capa e espadaqueria tanto que um olhar ...
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Paixão de Escrever
2005-03-26 18:23:00
Escrever, desde logo uma paixão antiga que me incita a vaguear ao sabor da minha imaginação. Ler, um acto precioso tão necessário quanto respirar, e de um sabor inesquecível. Tudo isto temperado com o doce sabor (ou amargo) das emoções humanas. De que trata esta disciplina afinal? ? Pelas próprias palavras da professora numa aula já distante: "?É muito simples, quem souber ler e escrever bem terá facilidade em fazer a cadeira, quem não souber? Não."Reporto-me, neste instante, aos primeiros textos que me lembro de escrever. O quanto sabia bem colocar numa folha de papel algo de mim próprio, e receber em troca um sinal de que alguém gostou do que leu? Viciante! Pois me confesso dependente do elogio que me alimenta o ego, tantas vezes empobrecido por uma sensibilidade que me chega a corroer a alma. E confessar esta fraqueza não é nada fácil para mim, mas torna-se mais fácil de compreender o outro lado ? aquele que eu esqueceria sem esforço nem desagrado ? a minha tremenda repulsa à crí...
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Aguenta
2005-03-26 18:20:00
Quando o dia é longoE só podes esperar pela noite,Espera e aguenta.Estás entregue a ti próprio,Mas sai e refresca as ideias.A poluição geral dá lugar ao suorSuas e tremes, mas seguesPorque os últimos serão os primeiros.Hoje não há vitórias,Não lutas por elas.Amanhã elas virãoE os vencedores sorrirão,Quando menos se espera.Os outros nem se apercebem,Mas sorris por detrás da sisudez.Nessa testa franzida carregas o mundo,Mas um dia carregar-te-à ele a ti.Depois da revolta vem a serenidade,A serenidade interior que se manifestaNum grito para que tudo e todos ouçam.Amigo, és livre, força!Vai, e leva-me contigo...João Manuel Malainho
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